Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 09/09/2021
No Brasil contemporâneo, a pobreza menstrual ainda e analisada como um grande problema de política pública. Isso se deve, sobretudo, a banheiros sem condições de uso nas escolas e a falta de acesso adequado a produtos de higiene menstrual nos presídios. Desse modo, é urgente a reversibilidade do cenário em questão.
Convém destacar a inadequação dos banheiros nas escolas como um dos desafios no combate à pobreza menstrual. Segundo dados do “Girl Up”, movimento global da Organização das Nações Unidas, 213 mil meninas no Brasil frequentam escolas que não tem banheiros em condições de uso. Por consequência, 1 em cada 4 meninas no Brasil deixam de ir à escola durante todo o período menstrual, fazendo com que cheguem a perder até 45 dias de aula de um ano letivo, dessa maneira propiciando a evasão escolar. Logo, evidencia-se a importância de uma infraestrutura sanitária adequada como forma de combate a problemática.
Ademais, a falta de acesso adequado a produtos de higiene menstrual nos presídios é outro fator que impede o combate a precariedade menstrual. Ainda que a Lei de execução Penal assegure a assistência à saúde de caráter preventivo e curativo, na realidade não é isso que acontece. De acordo com Nana Queiroz, autora do livro “Presos que menstruam”, em alguns presídios as detentas recebem apenas 8 absorventes por mês. Por isso, não é difícil imaginar porque muitas delas recorrem a jornal, papelão e até mesmo miolo de pão para controlar os fluxos. Em síntese, a necessidade da dignidade menstrual se faz necessária em todos os lugares.
Torna-se imprescindível, portanto, a tomada de atitudes que mitiguem os efeitos da pobreza menstrual. Para isso, é papel das escolas com o apoio da comunidade melhorar a infraestrutura dos banheiros dos colégios, mediante reformas desses ambientes e arrecadação de produtos de higiene, no intuito de diminuir o absenteísmo das meninas durante a menstruação. Além disso, cabe ao Estado incentivar que empresas produtoras de itens de higiene menstrual façam doações a presídios por intermédio de incentivo fiscal. Com efeito, espera-se garantir condições mínimas de dignidade a essas meninas e mulheres, diminuindo assim o impacto da pobreza menstrual nessa população.