Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 13/11/2021

Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, descreveu em sua obra “A Ideologia do Traste”, cuja principal característica reside em dar valor às situações que são esquecidas ou ignoradas. Segundo a lógica barrosiana, é preciso, portanto, debater sobre o combate à pobreza menstrual no Brasil, já que grande parcela da população não enxerga tal problemática. Desse modo, torna-se premente analisar as principais causas dessa problemática: a negligência governamental e a aversão por parte da população civil.

Em primeira análise, cabe afirmar que a falta de suporte do Poder Público é um catalisador dessa problemática. Nesse aspecto, de acordo com a Carta Magna, o direito à saúde é garantido a todos os brasileiros. No entanto, é dever do governo fornecer meios para garanti-los, o que não ocorre satisfatoriamente, dado que no Brasil uma grande parcela da população feminina encontra-se em situação de vulnerabilidade social. Diante do exposto, tal fato demonstra que a pobreza menstrual está sendo negligenciada pelas autoridades, que não possuem programas eficazes destinados a esse fim. Ademais, a ignorância da sociedade contribui para manter o tabu sobre menstruação na contemporaneidade. Conforme pontua o filósofo Michel Foucault, a sociedade tende a tornar tabu assuntos causadores de desconfortos à população. Nesse sentido, pode-se afirmar que a falta de debate sobre o tema é reflexo de um número cada vez maior de mulheres sendo invisibilizadas por falta de informação da população. Dessa forma, o número de pessoas sendo afetadas acaba aumentando, além do que aumentaria, caso houvesse uma conscientização por parte da população, sobre a importância da pobreza menstrual.

Portanto, depreende-se a necessidade de adoção de medidas que contemplem a problemática das mulheres. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Saúde realizar a distribuição de absorventes nas escolas, por meio de ações públicas no ensino público, com foco em mulheres de todas as faixas etárias, para solucionar o problema menstrual na sociedade. Logo, somente assim, após a aplicação prática da teologia do traste, a pobreza menstrual deixará de ser um problema.