Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 09/09/2021
Na série “The end of the fucking world”, a jovem Alyssa rouba uma drogaria por não ter condições de comprar produtos de higiene menstrual. Embora a série seja fictícia, o enredo condena a atual pobreza menstrual no Brasil. O ciclo menstrual é um processo natural que marca a fase reprodutiva das mulheres. Nesse período, a fim de realizar a higiene íntima, é necessário ter acesso a produtos básicos (absorventes, sabonetes) e ao saneamento básico.
É perceptível a pobreza menstrual, como a situação ficou conhecida. Desde 2014, a Organização Mundial da Saúde considera o acesso à higiene menstrual um direito que precisa ser tratado como uma questão de saúde pública e de direitos humanos. De acordo com a médica Marcela Mc Gowan, os absorventes e produtos íntimos são considerados “produtos de luxo” por receberem 25% de impostos sobre o seu valor. Adquirir esse item de higiene básica acaba se tornando caro para muitas mulheres que não tem boas condições financeiras.
De acordo com Zenaide Maia, estima-se um gasto de R$30 por ciclo menstrual. Ela acaba destacando que, como quase 13% da população vive com menos de R$ 246 por mês, “menstruar pode acabar saindo um pouco caro”. A falta de saneamento básico pode prejudicar, principalmente meninas, já que cerca de 713 mil meninas vivem sem banheiro ou chuveiro em casa, e cerca de 900 mil meninas não têm acesso à água canalizada em seus domicílios. Consequentemente, o número de doenças relacionadas à pobreza menstrual, como infecções, tende a aumentar. Desse modo, nota-se que a distribuição desigual de água e esgoto contribuem significativamente para a perpetuação da problemática.
Em virtude do cenário atual, é indiscutível a realização de ações interventivas. Portanto, é de extrema importância alguma ação do governo federal, principal responsável por manter a ordem pública e o bem da nação, reduzir os impostos para baratear os itens de higiene menstrual e disponibilizar esses produtos gratuitamente nos postos de saúde e escolas, bem como aumentar as políticas para propiciar saneamento básico para todos, a fim de proporcionar dignidade às mulheres que sofrem sem acesso a direitos básicos durante a menstruação. O Ministério do Meio Ambiente, juntamente ao Ministério da Saúde, deve criar projetos de saneamento básico em comunidades carentes. Essa ação tem como objetivo a garantia de mulheres terem maior acesso aos insumos necessários para enfrentar o período menstrual, já que muitas não possuem condições financeiras para comprá-los.