Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 13/09/2021
Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman em sua obra “Em busca da política”, nenhum país que esquece a arte de questionar pode esperar encontrar respostas para as adversidades que o afligem. Nessa perspectiva, tornam-se passíveis de discussões os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil. Logo, o poder público e a coletividade devem se questionar acerca de seu papel no enfrentamento desse problema social.
Decerto, o acesso aos itens de higiene femininos em nosso país é considerado algo luxuoso, ou seja, não está presente para todas as cidadãs brasileiras. Apesar da extrema necessidade de absorventes para evitar humilhação, falta de higiene e vergonha de seus corpos, a distribuição desses itens ainda é bastante precária no território nacional. Além disso, segundo a revista CNN Brasil, 4 milhões de meninas sofrem com a falta de absorventes e/ou sabonetes nas escolas, mostrando que desde pequenas as mulheres brasileiras tiveram em algum momento, a perda de sua dignidade. Esses dados mostram o baixo apoio e incentivo na valorização da higiene feminina no país. Sendo assim, fica evidente a necessidade de garantir o acesso e suporte para nossas cidadãs.
Ademais, ressalta-se a constante ignorância das pessoas acerca dessa realidade desumana vivida por muitas mulheres no país. Nesse sentido, é lícito citar a Alegoria da Caverna de Platão, no qual, o indivíduo acorrentado tende a permanecer na caverna por ser mais cômodo do que descobrir sua verdadeira realidade. Análogo a isso, percebe-se na sociedade moderna a banalização do tema pobreza menstrual, por se tratar de um tabu dentro de diversos contextos sociais, com isso, as pessoas que desconhecem essa realidade acham irrelevante a aplicação de políticas públicas contra esse desafio social, tornando esses cidadãos os novos acorrentados do século XXI. Dessa forma, fica evidente a necessidade de acabar com a pobreza menstrual no território brasileiro.
Assim sendo, torna-se indubitável o apoio de medidas públicas e coletivas para o aumento do combate à pobreza menstrual no Brasil. Posto isso, cabe o investimento do Governo federal na distribuição de kits de higiene pessoal básica nas escolas públicas e postos de saúde, incluindo um pacote de absorvente no kit feminino, com o intuito de reduzir os casos de pobreza menstrual em adolescentes. É válido ressaltar, o empenho do Ministério das Comunicações na promoção de propagandas que estimulem a procura por absorventes nos postos de saúde, e a ressaltem a sua importância para a higiene e conforto da mulher, a fim de aumentar a procura por absorventes e autocuidado dentro de território nacional.