Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 09/09/2021
A obra pré-modernista de Lima Barreto, conhecida como Triste Fim de Policarpo Quresma apresenta como protagonista o Major Quaresma, que além de admirar as riquezas oriundas do Brasil, acreditava que, se superados alguns desafios, o país poderia atingir o patamar de nação desenvolvida. Contudo, contemporaneamente ainda existem diversos obstáculos para tal crença se concretizar, e um grande exemplo deles é a pobreza menstrual em questão. Além das enormes disparidades socieconômicas no país, a banalização de tal problemática por parte do governo também contribuí para que a resolução desta se torne um desafio.
Precipuamente, é importante salientar que a heterogeneidade econômica do Brasil agrava tal situação. Nesse contexto, na série “The end of the fucking world” há um episódio em que, por falta de dinheiro para adquirir ítens de higiene menstrual, a jovem Alyssa furta uma farmácia. Apesar de ficcional, pode ser compreendido como uma denuncia à atual situação econômica em certas regiões do Brasil, onde garotas sequer possuem água canalizada em suas moradias. Dessa forma, entende-se que, a falta de disponibilidade de produtos de higiene não é o único empecilho durante o ciclo menstrual, porquanto, além disso, diversas pessoas não possuem as condições mínimas para manter sua higiene básica.
Outrossim, a falta de apoio governamental atrasa a possibilidade de melhoras significativas. Nesse viés, o curta-metragem “Absorvendo o Tabu” mostra o desenvolvimento de máquinas fabricantes de absorventes biodegradáveis e com custo baixo em vilarejos indianos. Porém, em contraste à Índia, no território brasileiro, ainda não houve a plena iniciativa do governo para com tal eixo social, de forma a colocar a saúde de diversas mulheres em risco, tendo em vista o alto custo mensal em ítens de higiene, que se torna inacessível dentro de inúmeras famílias.
Portanto, entende-se que medidas capazes de mitigar a pobreza menstrual devem ser tomadas, diminuindo, assim, os desafios para tal ato. Por isso, cabe ao Ministério da Saúde a distribuição gratuita de ítens de higiene menstrual, seja em escolas, hospitais, postos de saúde (assim como a distribuição de preservativos) ou locais desenvolvidos propriamente para esse fornecimento, a partir de verbas que sejam destinadas a isso, ou até mesmo doações e arrecadações, a fim de que um número maior de mulheres tenha acesso e consiga manter sua higiene pessoal e menstrual plenas. Sendo assim, o país estaria mais perto de alcançar a crença de Policarpo Quaresma.