Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 09/09/2021

O curta-metragem premiado pelo Oscar, “Absorvendo o Tabu”, aborda o estigma associado à menstruação de uma comunidade rural na Índia. Com a chegada da primeira menarca, meninas indianas devem interromper os estudos e são consideradas como sujas e almadiçoadas. Para reverter a situação, um grupo de mulheres utilizam uma máquina que cria absorventes biodegradáveis ​​de baixo custo e distribuem pela vila. Entretanto, fora das telas, devido à falta de acesso a itens básicos e a ausência de debates, a pobreza menstrual se mostra cada vez mais presente na sociedade brasileira.

Diante desse cenário, denuncia-se a inoperância estatal como um dos causadores do entrave. Apesar da Constituição Federal de 1988 determinar como direito fundamental do cidadão brasileiro o acesso ao saneamento básico, essa lei não é concretizada, pois não há orçamentos para uma plena efetização das políticas públicas - no que tange na área da sáude e da educação -. Consequentemente, diversas jovens no período menstrual não vão a escola, pois além de estarem inseridas em condições precárias de saniedade, há uma privação de higiene no ambiente escolar, como a falta de acesso a papel higiênico, sabonetes e absorventes. Diante dos fatos apresentados, é imprescindível uma ação do Estado para mudar essa realidade.

Nota-se, outrossim, que a omissão de um debate na sociedade é outra problemática em relação a pobreza menstrual no Brasil. Segundo o psicanalista alemão Sigmund Freud, em sua obra “Totem e Tabu”, o tabu representa qualquer comportamento inaceitável que vai contra as leis e valores morais de determinado grupo. Desse modo, diálogos acerca da menstruação são considerados como “tabus” em muitos lugares do corpo social - sobretudo nas escolas e domicílios -. Logo, pessoas que menstruam enfrentam uma série de dificuldades como a falta de informação sobre o corpo, direitos, oportunidades e evasão escolar.

Infere-se, portanto, que combater a pobreza menstrual é um grande desafio no Brasil. Sendo assim, o Governo Federal, como instância máxima de administração executiva, deve atuar em favor da população, através da criação de leis que tem como objetivo promover a arrecadação e distribuição gratuita de absorventes femininos, tampões e coletores menstruais em todos os postos de saúde do país. Ademais, o Ministério da Saúde em conjunto com o Ministério da Educação, necessita de promover seminários periódicos em escolas sobre higiene pessoal, por meio de especialistas com o intuito de esclarecer dúvidas e descontruir falácias e crendices sobre o tema - como mostrado no documentário indiano -. Essa proposta tem por finalidade superar a pobreza menstrual na sociedade brasileira.