Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 11/09/2021

É parte da cultura brasileira comemorar quando a menina tem sua primeira menstruação, ou seja, a menarca, visto que frases como “virou mocinha” ou “agora você é uma mulher” são geralmente pronunciadas. No entanto, depois dessa breve celebração, não se fala mais no assunto, deixando, assim, a adolescente sem qualquer orientação sobre o seu próprio corpo ou até mesmo sobre cuidados básicos de higiene. Nesse contexto, é realidade de uma parcela significativa das pessoas que tem útero a convivência com a pobreza menstrual, desafio que precisa ser combatido no Brasil.

Em primeiro lugar, mesmo em pleno século XXI, ainda é um tabu falar sobre sexo ou até mesmo sobre um processo natural como a menstruação. Nesse sentido, pode-se citar a série “Sex education”, reproduzida pela Netflix, a qual mostra um grupo de jovens que por não terem como tirar suas dúvidas a respeito das relações sexuais e entre outros aspectos, eles organizam uma terapia sexual, em que eles próprios se aconselham. Fora da dramaturgia, essa falta de informação também é real, fato que precisa mudar.

Em segundo lugar, por não terem as condições financeiras necessárias, muitas meninas não utilizam absorventes, por isso para tentarem estancar um pouco do sangue, colocam pedaços de jornal amassado, papel higiênico e até mesmo miolo de pão dentro da calcinha, estando, dessa forma, sujeitas a uma infecção. Diante disso, no mês de maio de 2021, a Always, uma empresa de absorventes, reverteu cada compra feita de seus produtos em mais absorventes para aquelas que convivem com a pobreza menstrual. Apesar de ser uma medida válida, muito ainda precisa ser feito.

Portanto, percebe-se a urgência na resolução desse problema. Para isso, o Ministério da Saúde, como um órgão de alcance nacional, deve disponibilizar absorventes e coletores menstruais nos postos de saúde. Essa medida deve ser feita com a orientação de médicos e enfermeiros, especializados na saúde da mulher, os quais deverão dar todas as orientações para o uso correto do absorvente. Assim, a menstruação passará a ser normalizada e a pobreza menstrual será combatida no Brasil.