Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 10/09/2021
De acordo com a Constituição Federal, todo cidadão brasileiro tem direito à saúde. Entretanto, na sociedade contemporânea brasileira, isso não é observado: mulheres e homens trans sofrem com a pobreza menstrual diariamente, que, sem acesso a produtos de higiene menstrual (como absorventes) e água tratada, passam a apresentar infecções e outros problemas relacionados a sua saúde. A persistência da pobreza menstrual e, consequentemente, de seus transtornos e impactos negativos, se dá graças à elevada desigualdade social e ao descaso dos governantes.
Primeiramente, o descaso dos governantes em relação à situação miserável de milhares de pessoas que menstruam, materializado na falta de políticas públicas voltadas a esta questão e na não distribuição gratuita de absorventes, diferentemente de camisinhas, é um dos motivos para a manutenção da pobreza menstrual brasileira. Segundo o sociólogo Anthony Giddens, as pessoas, ao não vivenciarem certas realidades, não tomam atitudes para otimizá-las, visto que estas não impactam em suas vidas. Desse modo, os governantes brasileiros, sendo, em sua maioria, homens cisgênero sem útero, não vivenciam a menstruação e a pobreza menstrual, e, seguindo o pensamento de Giddens, não buscam melhorar tal situação, permitindo que a pobreza menstrual se perpetue no cotidiano da população mais pobre.
Em segundo lugar, a desigualdade social observada na sociedade é outro importante fator para a persistência da pobreza menstrual. No Brasil, a divergência na distribuição de renda é extremamente acentuada: apenas uma parcela da população possui um nível de arrecadamento aceitável, que possibilita o acesso à agua tratada e a itens de higiene, além da informação. A população mais pobre, por outro lado, não goza de tais luxos, não tendo acesso a tais elementos e, dessa forma, perpetuando a pobreza menstrual. Logo, a desigualdade social, por não permitir que a população integral possa usufruir de itens básicos e essenciais, contribui para a conservação da situação de carência relacionada à menstruação.
Portanto, é perceptível que o descaso dos governantes brasileiros e a desigualdade social acentuada são fatores importantes para a manutenção da pobreza menstrual, que tornam o seu combate extremamente difícil. Visando à diminuição desta, é de exímia importância que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos tome providências. Para isso, o Governo Federal deve investir em tal Ministério, para que este adquira produtos básicos de higiene menstrual e disponibilize à população, por meio das unidades do SUS. Assim, a pobreza menstrual poderá ser diminuída, seus impactos minimizados e, a vida das pessoas com útero, otimizada.