Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 11/09/2021

No seriado americano ‘Orange is the new black’ é apresentado o cenário de uma prisão feminina nos Estados Unidos, onde é encontrado diversos empecílhos com relação à higiene  das detentas, já que os itens como medicamentos e cosméticos - onde os absorventes são classificados hodiernamente - são pagos pelas detentas e suas famílias. Transpodo da ficção para a realidade, a sociedade canarinha, infelizmente, assim como no seriado, apresenta o vestruso imbróglio da pobreza menstrual.

Destarte, o contingente demográfico tupiniquim é, majoritariamente, feminina, sendo assim, menstruam. Concomitantemente, quase 13% da população vive com menos de R$246,00 por mês, em um país que, aproximadamente 19 milhões de pessoas estão passando fome e o índice de gini só aumenta - índice que mostra a desigualdade social - sendo assim, menstruar pode ser caro.

Nesse contexto, 1 em cada 4 estudantes já faltaram às aulas por não terem acesso à absorventes ou acabam optando por substituir-lo por outros itens , como miolo de pão, algodão, pedaços de pano ou até mesmo plástico para conter a menstruação, itens que podem causar infecções e afetar a fertilidade da mulher. Em uma sociedade onde pensar primeiro no homem se tornou intrínseco, outros gêneros acabam por ser discriminados e a pauta menstruação virou um “tabu”, acarretando na desinformação.

Tendo em vista os fatos elencados, é indubitável que medidas são necessárias. Portanto, cabe ao governo federal efetivar políticas públicas já existentes, como a proposta por Zenaide Maia e Emilly Silva na SUG 43/2019 e Hillary Gomes na SUG 7/2021, ambas propondo a distribuição gratúida de absorventes e tampões por meio do Sistema Único de Saúde. Ao disponibilizar acesso aos absorventes, itens básicos de saúde - reconhecido pela Organização das Nações Unidas como uma questão de saúde pública e de direitos humanos - irá auxiliar as mulheres, transgenoros, não binários e pessoas com útero a erradicar o velado problema.