Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 15/09/2021
Desde 2014, a Organização das Nações Unidas (ONU) considera a higiene menstrual como um assunto de saúde pública; demonstrando a importância desse tema dentro da sociedade. Porém, não é um tópico tratado com a devida importância, uma vez que a pobreza menstrual ganha cada vez mais espaço em nosso país, deixando muitas meninas sem acesso a itens de higiene menstrual por diversos motivos, entre eles, o preço e a falta de informação.
Em primeiro plano, pelo fato da menstruação ainda ser um tabu - um tema visto com certo receio e até mesmo nojo, muitas garotas não tem conhecimento necessário acerca de seus ciclos e a melhor forma de lidar com isso, gerando confusão e até mesmo vergonha. Isso também afeta a vida escolar de muitas estudantes: por terem sua autoestima afetada e sentindo-se envergonhadas e confusas, deixam de frequentar a escola.
Do mesmo modo, a falta de dinheiro e a pobreza afetam diretamente essa questão. Com os absorventes íntimos, tampões, coletores menstruais e etc sendo vistos como artigos cosméticos, seus preços sobem e são tributados de acordo, tornando-os caro para uma parte da população. Essa situação se agrava ainda mais no contexto da pandemia, em que muitas pessoas ficaram desempregadas e dependentes de benefícios do governo, como o auxílio emergencial, por exemplo. Tendo que escolher entre comprar comida e absorvente, a menstruação acaba sendo cara.
Dessa forma, faz-se necessário, para garantir o acesso a produtos básicos de higiene menstrual, o incentivo à arrecadação desses itens, por meio de programas sociais em escolas e locais públicos, por exemplo. Assim como, políticas públicas voltadas para a distribuição gratuita de absorventes - tal qual as camisinhas, distribuídas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). É importante, também, que haja palestras e eventos sobre educação sexual, em escolas e universidades, trazendo cada vez mais informações, não só sobre menstruação, para a população. Garantindo, assim, que a higiene menstrual seja vista, entendida e tratada como saúde pública.