Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 13/09/2021
A Organização das Nações Unidas (ONU), considera o acesso à higiene menstrual um direito que precisa ser tratado como uma questão de saúde pública e de direitos humanos. Todavia, nota-se um abismo entre o ideal e a prática, visto que a pobreza menstrual na sociedade brasileira, gera situações de vulnerabilidade que afeta a socialização e autoestima das pessoas com útero, efeitos são nefastos. Sendo assim, cabe citar uma carestia de itens básicos e a negligência governamental como fatores que influenciam essa problemática.
A princípio, é evidente que tais circunstâncias devem a falta de acesso aos itens básicos de higiene menstrual, em razão da desigualdade social no país. A respeito disso, uma em cada quatro meninas brasileiras já faltaram a escola por não ter acesso a absorventes, segundo a Always, marca da P&G de cuidados íntimos. Dessa forma, é notório a necessidade de os produtos básicos distribuição em espaços públicos, como escolas e centros médicos, dado que a falta de renda corrobora para a evasão escolar, com isso várias meninas não participam, socializam e se privam das aulas, bem como, não usufruem do direito a educação. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Ademais, é fundamental apontar a negligência governamental em tratar o assunto como um problema de saúde pública. Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), “Saúde é o completo bem-estar físico, mental e social, não somente a outras doenças”. Nesse viés, é inaceitável o descaso do Estado em não elaborar políticas nacionais para a distribuição de kits higiênicos. No entanto, uma lacuna em tal sistema afeta a autoestima e o psicológico das pessoas que menstruam, em que os efeitos podem ser irreversíveis, sendo de necessidade imediata a reversão desse quadro em prol de garantir os direitos humanos.
Portanto, faz-se fundamental desenvolver medidas para mitigar o assunto em questão. Dessa maneira, deve o Estado, responsável por regular e incentivo o desenvolvimento, em parceria com o Ministério da Saúde, elaborar políticas públicas exequíveis para distribuição de kits menstruais com sabonetes e absorventes, por meio das escolas e o Sistema Único de Saúde (SUS), a fim de reduzir os índices de evasão escolar e os problemas psicossociais. Outrossim, deve a Mídia, em conjunto com a OMS, elaboração para arrecadação e debates sobre esse tema, já que ainda é analisado de forma preconceituosa. A partir dessas ações, a espera-se diminuir os índices de pobreza menstrual e conscientizar a sociedade brasileira sobre a necessidade de acesso à higiene menstrual para todos.