Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 14/09/2021
No documentário de 2018 “Absorvendo o tabu”, da Netflix, é retratada a história de mulheres que vivem na Índia rural e não têm acesso à absorventes durante o seu ciclo menstrual. Ao longo da trama, a narrativa mostra como o estigma da menstruação fez com que essas mulheres tivessem que passar a produzir uma forma própria para lidar com esse período do mês. Fora da ficção, fica claro que a realidade apresentada no filme pode ser relacionada a esta do século XXI: pobreza menstrual no Brasil promovida pela maioria masculina cis nos órgãos do Estado e pelo tabu imposto sobre o tema.
Nesse contexto, faz-se necessário destacar que, desde a instauração de uma república no Brasil, o país é controlado prioritariamente por homens cisgêneros que não tem a experiência ou as prioridades de pessoas que menstruam. Dessa forma, pode-se citar, por exemplo, a PL de combate à pobreza menstrual que foi aberta na Paraíba e recusada pelo governador e alguns deputados, ambos homens sem vagina, assim, tratando o tema como um capricho e não uma questão de necessidade que já deveria ser garantida pelo Estado. Sendo assim, a presença de pessoas que não menstruam controlando e sendo maioria no governo é mais um incentivo para tornar a dor e a luta de pessoas em situações de precariedade menstrual maior.
Além disso, é importante destacar que, desde a origem dos povos, tudo que envolve a intimidade de pessoas com útero, desde o seu prazer até sua higiêne mínima, é, em geral, silenciado pela sociedade, assim, quando se trata de menstruação não seria diferente. Em um pesquisa feita pelo jornal da Globo, por exemplo, foi concluído que 1 a cada 4 jovens já faltou aula por estar menstruada e, além de não ter acesso a absorvente por conta própria, não se sentir livre para falar sobre e pedir ajuda em consequência do tabu imposto sobre o assunto. Sob essa ótica, percebe-se que esse silenciamento e essa invisibilidade dada ao corpo do sexo feminino é um grande incentivador da problemática sobre a pobreza mentrual porque aquilo que não se é debatido, não consegue ser solucionado.
Depreende-se, portanto, em função desses aspectos, que a problemática sobre o desamparo de pessoas que menstruam no Brasil gira em torno dos estigmas de uma sociedade que foi formada a partir do silenciamento de pessoas fora do sexo masculino. Para o combate à pobreza menstrual, urge que o Ministério da Educação promova palestras educativas em escolas, por meio de campanhas mensais, com a finalidade de diminuir as inseguranças desses jovens. Além da criação de uma lei, pelo Ministério da Justiça, que limite a tomada de decisões sobre o corpo da pessoas com vagina à pessoas que se encaixem no mesmo e entendam seus desafios. Somente assim será possível deixar para trás um passado patriarcal e humanizar essas pessoas que não tem acesso ao mínimo à sua dignificação.