Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 16/09/2021

No ano de 2018, o documentário Indiano da Netflix ‘‘Absorvendo o tabu" trouxe a tona uma perspectiva socioeconômica acerca da menstruação: a pobreza menstrual. Assim como as indianas, diversas brasileiras sofrem diariamente com a falta de recursos para cuidar de seus ciclos mensais, e agravada pela perpetuação de preconceitos, a falta de políticas públicas torna o combate a esse mal, desafiador.

Primeiramente, vale ressaltar que as pessoas atingidas com a pobreza menstrual estão à margem da sociedade, isto é, a população carcerária, pessoas em situação de rua e  de baixa renda, ou seja, são negligenciadas pelo sistema governal. Entretanto, para além da desigualdade social, a persistência de antigas premissas que tornaram a menstruação algo constrangedor, sujo e individual, dificultou o debate coletivo e o progresso do tema.

Além disso, como mostrado no “Absorvendo o tabu”, a carência de itens básicos, como absorventes, prejudica as garotas indianas de frequentarem suas escolas. Do mesmo modo, cerca de 4 milhões de meninas sofrem também com a falta desses itens nas escolas brasileiras, segundo o Fundo das nações unidas para a infância (Unicef), o que retrata a falta de políticas que garantam o acesso a esses itens e  torna desafiadora a experiência escolar de quem sofre com a pobreza menstrual.

Em suma, é evidente que viver com essa condição é desagradável e prejudica pessoas das mais variadas idades. Entretanto, o primeiro passo no combate à pobreza menstrual é naturalizar a menstruação e seus derivados, o que pode ser feito através de aulas e palestras nas escolas, implementadas pelo Ministério da educação, Mas, em paralelo, pode-se começar a distribuição de absorventes para toda a população desprovida, por meio do Sistema unico de sáude (SUS). Feito isso, mais pessoas terão acesso aos itens básicos e viverão com um obstáculo a menos no caminho para uma melhor qualidade de vida.