Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 14/09/2021

O seriado de televisão “Orange is the new black” retrata a realidade de mulheres na prisão que utilizam diversos itens para conter o período menstrual, devido à falta de absorventes. Não distante da ficção, no Brasil hodierno, a pobreza menstrual é uma problemática a ser combatida, não só por prisioneiras – como na série –, mas também por mulheres que enfrentam dificuldades financeiras. Nesse sentido, é notório que esse é um grande entrave que se sustenta pela negligência estatal e pela falta de debate sobre o problema. Portanto, são necessárias medidas governamentais e midiáticas para combater a pobreza menstrual no Brasil.

Em primeira análise, vale ressaltar que a omissão do governo é um fator relevante desse impasse. De acordo com o inciso 3º do artigo 3 da Constituição Federal de 1988, é dever do estado erradicar a pobreza e reduzir as desigualdades sociais. No entanto, essa não é uma realidade no Brasil, haja vista que muitas mulheres precisam recorrer à utilização de panos e até mesmo jornais durante o período menstrual e, consequentemente, infecções urinárias e vaginais aumentam consideravelmente. Por isso, urge que o Poder Público auxilie cidadãs carentes com itens de higiene íntima.

Outrossim, é elementar abordar as consequências da falta de debate sobre a pobreza menstrual no Brasil, visto que é uma condição que corrobora esse problema. Segundo o filósofo francês Michel Foucault, muitos temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Desse modo, é inegável que o pensamento de Foucault tem se tornado realidade na sociedade brasileira e, indubitavelmente, muitas mulheres são prejudicadas com isso, uma vez que o entrave não recebe a verdadeira importância. Em suma, são poucas as mulheres que têm acesso à absorventes e outros elementos que ajudam na saúde íntima feminina, o que ocorre, em grande parte, por causa da banalização das pessoas quanto a necessidade de discorrer sobre o ciclo menstrual da mulher. Sendo assim, é imprescindível que a mídia crie campanhas que falem abertamente sobre o assunto.

Logo, pode-se inferir que a negligência governamental e a falta de discussão sobre a temática são elementos expressivos desse impasse e carecem de soluções. Para tanto, cabe ao Governo, por intermédio do Ministério da Saúde, a criação de um kit menstrual contendo itens de higiene íntima básica que serão entregues pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS), com o objetivo de combater a pobreza menstrual do país. Além disso, a mídia, por meio das redes sociais, deve propagar campanhas que discorram espontaneamente sobre o tema, ressaltando a sua importância e as consequências da falta de debate sobre o assunto para a saúde feminina, com o efeito de desfazer qualquer pensamento errôneo acerca da menstruação. Assim, a realidade do Brasil será diferente do que é observado em “Orange is the new black”.