Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 15/09/2021

A pobreza menstrual, estabelecida desde o princípio da humanidade, reflete as atitudes machistas e a desigualdade social existente no mundo capitalista. As mulheres sempre foram consideradas seres inferiores aos homens, principalmente, as mulheres negras, dessa forma, as necessidades delas nunca foram consideradas prioridades. A influência do poderio machista, a exclusão da mulher e a restrição de direitos, torna o combate a pobreza menstrual um grande desafio, entre demais fatores, pela carência do acesso a rede de esgoto e pelo estabelecimento de extrema pobreza em várias regiões do país.

A priori, cabe analisar a carência do acesso a rede de esgoto por várias famílias, como causa das mulheres contraírem altas infecções por bactérias e demais organismos vivos presentes ali. De acordo com o site CNN Brasil, 6,5 milhões de meninas vivem em casas sem ligação à rede de esgoto. Nesse sentido, muitas garotas morrem ao contraírem infecções em um período mais sensível por não terem o mínimo acesso a um direito de qualquer cidadão.

Concomitantemente, a extrema pobreza estabelecida em várias regiões do país, aumenta os desafios para o combate à pobreza menstrual. Tem-se, como exemplo, a série da netflix The Bold Type, em que uma jornalista em ascensão entrevista meninas em situação mais vulnerável e percebe que elas tem vergonha de si mesmas e deixam de realizar diversas atividades nesse período. Dessa forma, a dificuldade em comprar um absorvente por parte de várias mulheres, faz com que elas deixem de frequentar a escola e demais locais públicos no período menstrual, o que as deixam mais sensíveis e prejudica todos os âmbitos da vida social.

Portanto, é fato que o acesso restrito da população mais debilitada à rede de esgoto e a situação de extrema pobreza existente no país são causas dos desafios de combate à pobreza menstrual. Posto isso, o Ministério da Saúde (MS), juntamente com o Ministério da Educação (MEC), deve colocar como prioridade o fornecimento de absorventes e a ligação à rede de esgoto nos locais que não possuem, por meio de investimentos e recursos destinados a distribuição de absorventes nas comunidades e escolas carentes e a ampliação da rede de esgoto nos locais de difícil acesso, a fim de garantir que o acesso das mulheres de menor poder aquisitivo ao absorvente e a melhores condições de vida nesse período seja facilitado, levando a tornar o período menstrual um ciclo normal para as mulheres, e, consequentemente, preservando a saúde da mulher e os riscos de morte por infecção.