Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 14/09/2021

Na narrativa bíblica, lê-se no livro de Levítico que a mulher no seu período de menstruação era considerada impura e com isso não poderia sequer ser tocada. Apesar de terem se passado milênios desde tal época, o período menstrual da mulher ainda é tratado por muitos de forma excludente e indiferente, e isso se reflete na falta de amparo que algumas possuem nos dias de fluxo. Tal problemática pode ser atribuída aos problemas presentes na saúde pública promovida pelo Estado, assim como o individualismo presente na sociedade.

Primeiramente, para entender a displicência do Estado, pode-se olhar para o conceito de Contrato Social de John Locke. O filósofo defende que necessidades básicas devem ser surpridas pela Instituição responsável por governar a nação. Contextualizando a teoria do inglês ao tema abordado, consegue-se facilmente entender que há uma ruptura do Contrato Social, uma vez que o ciclo mestrual é natural e comum à toda e qualquer mulher biológica independente de sua classe social. Por conseguinte, todas deveriam ter acesso aos produtos que as permitam manter a higiene durante esse tempo. É uma pauta que deveria ser defendida pelos governantes com urgência, já que a pobreza menstrual é capaz de gerar problemas de saúde, desconforto e constrangimento a tantas moças

Ademais, outra questão que se encaixa nessa discussão é a falta de empatia por parte dos indivíduos de uma sociedade. Pode-se relacionar essa questão com a teoria da Seleção Natural, elaborada por Charles Darwin. Segundo o britânico, as espécies capazes de sobreviver ao ambiente seriam as mais aptas, ou seja, as mais adaptáveis a ele. De igual maneira, na vida em comunidade não é diferente. Só é possível ter uma vida de qualidade em todos os aspectos os que tem mais meios de sobreviver ao contexto que está inserido. Contudo, quando falamos a respeito do ciclo menstrual, nos reportamos a um cuidado básico onde todos que precisam deviam ter acesso. E os que tem direito a ter não repartem com os que carecem disso. Mesmo tendo de sobra, nunca dividem com o outro que necessita. Essa situação acaba por alargar a desigualdade presente na estrutura verde e amarela.

Mediante aos fatores supracitados,  a emergência no combate à pobreza menstrual é inconstestável.  Cabe ao Ministério de Saúde, por meio de um direcionamento de verba específico, promover projetos que visem a compra de absorventes externos e internos, com o fim de dar suporte a quem sofre dessa vulnerabilidade. Cabe ainda às ONGs direcionadas à causas sociais, por meio de arrecadação e doações, eventos de distribuições desses produtos higiênicos, também com o intuito de amparar cada mulher que está a margem de dificuldades físicias sociais e devido a essa carência. Posto isso, a existência dessas mulheres será adequadas à seu tempo, e não a dos tempos da Bíblia.