Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 17/09/2021
O ciclo reprodutivo das mulheres é caracterizado, por muitas cidadãs, como um período mensal de dores, incômodos, constrangimentos e problemas com a higienização adequada. Tendo em vista essa questão, foi criada a expressão “pobreza menstrual”, que enfatiza o quanto essa realidade afeta diversas mulheres. Nesse cenário, o que impulciona a pobreza mentrual no Brasil é a infraestrutura sanitária inadequada e a falta de acesso a produtos de higiene menstrual, causados pela desigualdade socioeconômica. Logo, é necessário que medidas sejam tomadas para mudar essa realidade.
O uso da água ainda é muito desigual em diversos países, no Brasil, por exemplo, cerca de 2% dos indivíduos vivem sem banheiro ou chuveiro em casa, de acordo com a OMS -Organização Mundial da Saúde- além do fato de que uma a cada 4 meninas não têm condiçoes de comprar absorventes e produtos para auxiliar no período de menstruação. Portanto, a questão da desigualdade econômica é fator impactante na forma como as pessoas que menstruam lidam com os períodos menstruais.
Ademais, o acesso à higiene, à saúde e ao bem-estar são direitos humanos inalienáveis, haja vista que, a Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceu que o direito das mulheres à higiene menstrual é uma questão de saúde pública e que a falta de produtos adequados pode gerar doenças, como infecções urinárias, por exemplo. Consequentemente, políticas públicas, como o Projeto de Lei 4698/2019 - que prevê a criação do Programa de Fornecimento de Absorventes Higiênicos nas escolas públicas - são de grande importância para a saúde íntima de milhões de mulheres, além de lhes oferecer mais conforto no ambiente de trabalho e estudantil.
Em síntese, a pobreza menstrual é uma realidade desafiadora para milhares de pessoas, bem como interfere de forma negativa no seu cotidiano e saúde física. Desse modo, os orgãos governamentais devem criar leis que auxiliam as pessoas que menstruam a passarem por esse período de vulnerabilidade física e psicológica -gerada pelo grande tabu. Os produtos de higienes -tais como absorventes, coletores e remédios para cólica- devem ser distribuidos em Postos de Saúde, escolas e presídios, onde se encontram pessoas em maior estado de vulnerabilidade.