Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 17/09/2021

De acordo com a Constituição Federal de 1988, norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro, a saúde é um direito fundamental do indivíduo. Contudo, essa não é uma realidade da sociedade brasileira, visto que os índices de enfermidades e contaminações são alarmantes, e tendem a seguir nessa constante caso não haja restaurações nas políticas públicas. Sob tal ótica, os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil merecem amplos debates, haja vista que é um tema tratado como tabu no cotidiano, além de expressar claramente, o escasso saneamento básico em determinadas regiões do país. Destarte, urge a tomada de medidas eficazes a fim de melhorar o âmbito da saúde no Brasil.

Deve-se destacar, primeiramente, a falta de educação básica voltada ao assunto, porquanto é um tópico retratado com receio pela comunidade brasileira. Nesse sentido, no que se relaciona à problemática, observa-se que o preconceito relacionado ao gênero feminino e aos transexuais, é fruto de um passado histórico vivenciado no Brasil, o qual foi responsável pela formação de uma estrutura patriarcal e machista desde o período do Brasil Colônia. Nessa perspectiva, o vínculo histórico que permanece até a época hodierna, reflete no vasto preconceito relacionado às mulheres e, nessa conjuntura, não há um ambiente adequado para o público feminino discutir sobre situações naturais de qualquer mulher, sem que sejam julgadas pela sociedade machista, criando-se assim, um tabu a respeito da menstruação. Dessa forma, há necessidade de traçar estratégias para resolver o impasse.

Outrossim, é fulcral ressaltar a insuficiente infraestrutura para higienização básica em locais pobres. Diante disso, segundo a pesquisa divulgada pelo PNADS - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, 12,8% dos brasileiros passaram a viver com menos de 250 reais mensais. Nesse viés, seguindo as informações reveladas, é sabido que a parcela da população que convive com essa triste realidade está exposta diretamente a pobreza menstrual, dado que não possuem uma renda necessária para bancar gastos e preparativos de um ciclo menstrual e, consequentemente, sujeitos à infecções e danos maiores a saúde. Portanto, condutas interventivas devem ser legitimadas para atenuar o óbice.

Diante do exposto, é inadiável a adoção de novas medidas para resolver o impasse. Logo, cabe ao Ministério da Saúde junto ao Estado, principal promotor da harmonia, promover assistência gratuita para as mulheres nos postos de saúde, além de impulsionar o tema nas mídias sociais, instrumento de ampla abrangência, por meio de verbas públicas e parcerias com plataformas digitais, como o instagran, com o intuito de melhorar o cenário da saúde no Brasil. Afinal, torna-se insustentável uma sociedade que adota medidas paliativas em vez de prevenir e curar seus males.