Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 10/10/2021
A dignidade humana é a garantia das necessidades individuais de cada indivíduo, ao qual está assegurada na constituição federal de 1988. Porém, ao contrário do exposto, tem-se no Brasil os desafios no combate à pobreza menstrual. Esse fato é extremamente prejudicial ao país, precarizando as necessidades básicas femininas, demandando intervenções. Ademais, as principais causas a serem avaliadas são o tabu relacionado a sexualidade da mulher, bem como a sua realidade econômica.
Nesse contexto, ao avaliar a temática sob uma perspectiva social, é relevante assinalar a falta de esclarecimento, presente nas diversas classes sociais, sobre menstruação e assuntos que a englobam. Como exemplo, a ex-BBB Gabi Martins, de classe média alta, que demonstrou durante o programa falta de conhecimento sobre o assunto. Isso ocorre pois há o receio ao falar sobre a sexualidade e o funcionamento dos órgãos reprodutores, dificultado o aprendizado e a formação do indivíduo, conforme abordado pela filósofa Simone Beauvoir, na citação “não se nasce mulher, torna-se mulher”.
Somado a isso, sob uma análise histórica, o primeiro absorvente foi criado em 1930, antes disso, utilizavam-se de diversos recursos para absorver o fluxo menstrual, como a introdução de casca de pão na vagina. Ademais, atualmente, tem-se a continuidade da utilização desses recursos precários. Isso acontece porque muitas mulheres se encontram em situação de vulnerabilidade econômica e não tem como pagar por um absorvente, conforme abordado pelo grupo de rap RacionaisMc’s, na música “da ponte pra cá”, que denúncia a realidade indignante, que é divergente a constituição.
Frente às discussões, percebe-se os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil. Por conseguinte, o Estado, em conjunto com o Ministério da Educação, deve propagar conhecimento sobre menstruação e os diversos assuntos que a englobam, através de palestras educativas e gratuitas, com o intuito de difundir e naturalizar esse saber, para que se rompa com esse tabu sobre o corpo feminino. Além disso, o SUS, deve oferecer absorventes íntimos, disponibilizando-o na rede pública de saúde, facilitando e assegurando esse recurso. Para que o acesso seja democratizado. Assim, garantir-se-á, uma realidade análoga à proposta pela constituição.