Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 16/10/2021

Em 2014 a ONU (Organização das Nações Unidas) declarou que a higiene menstrual é um direito humano garantido. Dito isso, observa-se que no Brasil tal direito não vem a ser gozado pelas mulheres em sua totalidade, uma vez que relatos de problemas relacionados à pobreza menstrual, tais como a falta de acesso a absorventes, são cada vez mais recorrentes. Portanto, é necessário que esses problemas sejam expostos e seus impactos direto na sociedade brasileira sejam discutidos.

De início, segundo o relatório ‘‘Livre para Menstruar’’, feito pelo movimento ‘‘Girl Up’’, uma em cada quatro adolescentes no Brasil não possui acesso a absorventes. Assim, mediante tal relatório, observa-se que a dificuldade de jovens brasileiras em possuírem acesso a um produto básico para seu período menstrual é um problema no país. Ademais, tal fato certamente viola o que é disposto no artigo 2° da Lei 11.340 de Agosto de 2006, em que se afirma: ‘‘Toda mulher goza dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sendo-lhe asseguradas oportunidades para preservar sua saúde física e mental’’, visto que a falta de acesso a absorventes certamente impactará negativamente tanto sua integridade física como mental, seja por serem obrigadas a utilizar itens menos propícios como absorventes (revistas, jornais), como também o impacto emocional gerado caso comecem a, por exemplo, menstruar em público e não possuirem um absorvente.

Para complementar, a dificuldade em ter acesso à absorventes acaba, diretamente, impactando o setor educacional. Segundo o estudo ‘‘Impacto da pobreza menstrual no Brasil’’, feito pela plataforma de pesquisas ‘‘Toluna Influencers’’, 28% das jovens já deixaram de ir às aulas por não conseguirem comprar absorvente; ou seja, o desconforto gerado por tal situação faz com que muitas acabem tomando tal decisão. Ou seja, além do impacto emocional e na saúde da mulher, a pobreza menstrual contribui para aumentar a desigualdade na educação entre homens e mulheres, pois muitas acabam faltando às aulas.

A partir dos fatos expostos, conclui-se que é necessário uma atenção governamental nos problemas tocantes à pobreza menstrual. Para isso, cabe ao Ministério da Saúde, departamento governamental que tem por missão definir e conduzir a política nacional de saúde, em garantir a totalidade do acesso à absorventes em todo território nacional, principalmente em zonas em condições precárias. Para que isso ocorra, devem ser realizadas campanhas, principalmente nas escolas, de distribuição gratuita de absorventes para todas as meninas em seu período menstrual; ademais, em zonas precárias, podem ser lançadas campanhas de arrecação de absorventes destinados a meninas carentes. Desse modo, mesmo que minimamente, tais esforços certamente ajudarão na luta contra a pobreza menstrual.