Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 16/09/2021
Amortização do corpo feminino
Miolo de pão, algodão, sacola plástica e filtro de café. Esses termos são elementos alternativos para conter o fluxo menstrual e estão relacionados à pobreza menstrual no Brasil, que é desencadeada pela dificuldade de obtenção de produtos higiênicos, por exemplo. Nesse sentindo, vê-se que a estigmatização menstrual e restrição ao acesso à produtos adequados e infraestrutura,como saneamento básico ,corroboram para a recorrência da indigência menstrual. Dessa forma, é crucial que medidas sejam angariadas a fim de mitigar esse dilema no país.
A priori, cabe ressaltar que, parafraseando a escritora americana Ruth Benedict , " a cultura é a lente pela qual nós vemos a realidade". Tal assertiva associa-se aos tabus relacionados ao ciclo menstrual hodiernamente, uma vez que a falta de educação sexual e, concomitantemente, o silêncio sobre o aprendizado do ciclo menstrual estão relacionados à estigmatização no lares, nas comunidades e nas escolas devido à vergonha de falar sobre essas temáticas e , com isso, ocorre falas pejorativas, como o sangue cheira mal durante o período do fluxo menstrual e a mulher fica , por conseguinte, recuada de participar de certas atividades e frequentar alguns locais, por exemplo.
Outrossim, segundo dados divulgados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância ( Unicef), cerca de quatro milhões de meninas não possuem acesso à itens higiênicos nas escolas e setecentos e treze mil meninas vivem sem banheiro em suas residências. Esses dados alertam a necessidade de combater a desigualdade social , haja vista que a ausência de uma infraestrutura adequada e de produtos higiênicos, como sabonete, absorventes e medicamentos para cólicas ocasionam prejuízos , como a evasão escolar e infecção no canal vaginal quando o fluxo é estancado por métodos alternativos.
Dessarte, é imprescindível que ações sejam estabelecidas com o fito de atenuar essa problemática. Dessa maneira, é fundamental que as escolas , em concrescência com a famlília e comunidade, debatem sobre a importância do ciclo menstrual na vida da mulher , por meio de palestras para os estudantes , a fim de orientá-los e combater o preconceito e o constrangimento sobre a descamação do endométrio do corpo da mulher. Além disso, cabe ao governo providenciar verbas para a compra de itens higiênicos feminos e disponibilizá-los nos postos de saúde ,dos municipios ,com o objetivo garantir o direito à saúde da mulher, visto que em razão da desigualdade e do desemprego muitas famílias não possuem recursos para a adesão a esses itens.