Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 17/09/2021

O governador do Ceará, Camilo Santana, instituiu uma lei que viabiliza a distribuição de absorventes para mulheres em espaços públicos, contribuindo para sua higiene íntima no período menstrual. Em dissonância a essa realidade, está a de muitas cidadãs brasileiras, tendo em vista que a pobreza menstrual ainda é presente no restante do país. Nesse sentido, a fim de mitigar os males relativos a essa temática, é importante analisar a negligência governamental e o tabu gerado nesse âmbito, que contribui para a desigualdade de gênero na vida acadêmica e profissional.

Em primeira análise, é válido retomar o descaso estatal como principal causa do problema. De acordo com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, algumas instituições estão presentes na sociedade, mas não cumprem seu papel com eficácia. Nesse sentido, sendo o Estado o responsável pela integridade de sua nação, ele acaba compactuando com a teoria de Bauman, pois é ineficaz no que tange garantir a integridade da população feminina ao não considerar o absorvente como item básico e acessível, tornando-o um artigo de luxo e inviabilizando a população pobre de usufruir desse bem.

Paralelamente, é importante pontuar que o tabu social possui íntima relação com o infeliz cenário citado. Na Índia, os chefes de Estado consideram a menstruação algo impuro, discriminando as mulheres quando estão nesse período. No Brasil, tal discriminação é feita pela própria comunidade, que ao ver a omissão governamental em debater a menarca, acaba considerando-a um tabu, oprimindo as mulheres durante esse período, gerando muitas vezes a evasão escolar, acentuando a desigualdade no mercado de trabalho e dificultanto a quebra do ciclo da pobreza feminino.

Assim, medidas precisam ser tomadas pelas autoridades competentes, a fito de atenuar o revés. Para isso, o Governo, em parceria com o Ministério da Saúde, deve seguir o exemplo do Estado do Ceará e instituir leis estaduais que garantam acesso a absorventes, através de distribuições em escolas, universidades e banheiros públicos, além de viabilizar rotas em bairros periféricos com essas distribuições. Diante de tal ação, a comunidade verá que a higiene durante período menstrual é uma prioridade para o país, quebrando o tabu de que é algo ruim e mantendo a integridade das mulheres nesse período.