Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 16/09/2021

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), o acesso à higiene menstrual é um direito que precisa ser tratado como uma questão de saúde pública e de direitos humanos. Nesse sentido, a dificuldade para obter produtos para a higienização, aliada a más condições básicas, é definida como “pobreza menstrual”. Assim, no que tange aos desafios no combate a essa problemática, vale citar a dificuldade de acesso a produtos de higiene menstrual, causados pela desigualdade socioeconômica e preços onerosos dos itens de cuidados menstruais e o tabu relacionado a menstruação.

A princípio, em virtude da desigualdade socioeconômica que caracteriza o contexto brasileiro, milhares de pessoas que menstruam não possuem condições financeiras para arcarem com os custos dos materiais necessários para estancar a menstruação. Sendo assim, muitas dessas pessoas colocam em risco a própria saúde ao utilizarem métodos alternativos como: o miolo de pão, sacola, meia e algodão para conter o fluxo. Nesse âmbito, segundo a Sempre Livre, 73% das mulheres relataram problemas vaginais nos últimos 12 meses e 28% das mulheres de baixa renda são afetadas diretamente pela pobreza menstrual. Logo, pode-se afirmar que é necessária a reversão desse impasse existente no Brasil hodierno.

Além disso, atualmente, existe um tabu relacionado à menstruação, na qual condiciona as pessoas a entenderem que o ato de menstruar deve ser escondido e vergonhoso. Dentro desse viés, de acordo com os dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), cerca de 23% das meninas abandonam o colégio quando entram na puberdade. Sendo assim, a falta de informação e discussão sobre o assunto é dificilmente coibida, visto que, o tabu relacionado a função menstrual resulta até mesmo em problemas de saúde.

Portanto, medidas são necessárias para solucionar a problemática vigente. Dessa forma, cabe a Organização Mundial da Saúde (OMS) através de uma parceria com projetos locais - como o “Fluxo sem Tabu” - façam arrecadações e distribuições de materiais de higiene menstrual nos estabelecimentos, para que todos cidadãos que possuem útero possam ter acesso. Ademais, é de extrema importância que o Ministério da Educação promova palestras em escolas que abordem a menstruação como principal assunto, a fim de coibir o tabu relacionado ao ato menstrual.