Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 17/09/2021

Na série “The end of the fucking world”, a protagonista Alyssa furta uma farmácia, por não possuir condições financeiras para comprar os itens necessários de higiene menstrual.Fora da ficção, o enredo denuncia a atual situação do Brasil quando se diz respeito à pobreza menstrual. Nesse contexto, convém analisar a desigualdade social e omissão governamental como causadoras desse empecilho.

Primeiramente, a disparidade econômica presente na sociedade contemporânea possibilita a intensificação da chamada pobreza menstrual. Tal cenário ocorre devido à falta de saneamento básico em áreas periféricas, fazendo com que muitas mulheres acabem sendo marginalizadas e como consequência, não possuam acesso à esse direito básico fundamental. Assim, o número de infecções relacionadas a essa má distribuição de renda se torna cada vez mais comum, o que quebra o contrato social de John Locke, pois o estado não configura aos seus cidadãos o direito necessário desses recursos.

Ademais, a falta da elaboração de políticas públicas proporciona o agravamento da situação. De acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, parte dos setores sociais são “instituições zumbi”, pois falham em desenvolver seus papéis. Nessa perspectiva, as instituições públicas não cumprem com o seu dever, visto que não garantem a distribuição de absorventes e coletores menstruais por um preço acessível ás camadas mais necessitadas. Exemplo disso são as mulheres carcerárias, que pela falta de recursos, acabam utilizando pão durante o período menstrual, o que além de trazer prejuízos á saúde das mesmas, se torna algo humilhante, visto que o Governo não as auxilia como deveria. Tal realidade precisa ser mudada em busca de combater a problemática.

Assim, o Ministério da Saúde deve promover políticas públicas, como a distribuição gratuita de absorventes em unidades básicas de saúde, além da melhoria do saneamento básico em áreas carentes pelo Governo. Dessa forma, a situação vivenciada por Alyssa será, futuramente, apenas fictícia.