Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 19/09/2021
Quatro milhões. Esse é o número de meninas que vivem com pelo menos uma privação de higiene do Brasil, isso inclui a falta de acesso a absorventes, segundo uma pesquisa realizada pela Unicef (Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas). Nesse contexto, lamentavelmente, a pobreza menstrual é um desafio que precisa ser combatido no país. Entretanto, a pobreza econômica e a ausência de políticas governamentais são um empecilho para esse problema.
Primeiramente, é notório ressaltar como o baixo poder aquisitivo da uma parcela dos brasileiros é pela pobreza menstrual no país. Isso porque, a população que se encontra em estado de miséria enfrenta dificuldades para se alimentar e, muitas vezes, não possui dinheiro para comprar absorventes, pois não sobra dinheiro para cuidar da higiene. Infelizmente, esse fator se agravou na pandemia do coronavírus, na qual o comércio perdeu 11,1% das vagas de empregos formais no primeiro trimestre de 2020 em relação ao ano anterior, dados do IBGE, ou seja, o povo passou a sofrer ainda mais para conseguir o básico para as suas famílias, entre eles os itens de higiene pessoal.
Ademais, a falta de políticas sociais para solucionar a falta de acesso a absorventes pelas mulheres é um desafio a ser combatido. Nesse sentido, de acordo com o filósofo Thomas Hobbes, é dever do Estado garantir o bem estar social, isso é, não deixar que meninas jovens faltem as escolas por não possuírem coletores menstruais e fiquem vulneráveis a contraíres doenças. Dessa forma, é inadmissível que no Brasil, onde está em vigor o Estatuto da Criança e do Adolescente e serve para proteger as crianças de constrangimento e muito mais, não hajam ações eficientes por parte do governo para mudar esse cenário de pobreza menstrual.
Urge, portanto, a necessidade de o Poder Executivo disponibilizar em todas as escolas de rede pública e nos postos de saúde absorventes e coletores menstruais de forma gratuita. Isso deve ser feito com parte da verba recebida do Ministério da Saúde, pois esse é responsável por administrar os recursos destinados a projetos de saúde pública. Desse modo, o país poderá diminuir de forma gradual a pobreza menstrual e também evitar que mulheres contraiam doenças pela falta de higiene.