Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 21/09/2021
A menstruação é caracterizado por muitas mulheres como um período de dor e incômodo, entretanto nem todas possuem acesso à itens de higiene pessoal ou infraestrutura sanitária. Por esse motivo, o termo “pobreza menstrual” surgiu para alertar a respeito dessas circunstâncias. No Brasil, esse cenário é muito comum para uma parcela da população feminina. Fatores como a condição financeira e a precariedade do sistema de saneamento básico são desafios para combater a problemática.
A partir disso, é importante destacar que a pobreza menstrual é diretamente influenciada pelas condições financeiras do indivíduo. Na série britânica “The end of the fucking world”, a protagonista Alyssa, em uma cena, rouba um pacote de absorventes de uma farmácia, pois não tinha dinheiro para comprá-los. Nessa óptica, a obra se assemelha a realidade, uma vez que muitas mulheres não recebem o suficiente para gastar com itens básicos de higiene e, consequentemente, improvisam produtos que podem resultar em problemas de saúde. Essa afirmação é comprovada pelo levantamento do Ibre-FGV, o qual diz que a renda domiciliar per capita dos brasileiros foi de mil e sessenta e cinco reais no primeiro trimestre desse ano. Dessa maneira, é perceptível que a pobreza menstrual tem como uma das causas a pequena renda individual.
Ademais, a falta de saneamento básico é outra problemática que têm como resultado a pobreza menstrual. Segundo dados do IBGE, em se tratando dos domicílios, cerca de 713 mil meninas vivem sem acesso a banheiros e 900 mil não têm acesso à água canalizada. Essa pesquisa mostra como a situação do Brasil é preocupante, uma vez que uma grande parcela da população não tem acesso ao básico da infraestrutura sanitária. Isto é, muitas mulheres não têm acesso ao mínimo da infraestrutura sanitária nem serviços básicos que garantem sua dignidade e, consequentemente, estão em situação de grave vulnerabilidade. Dessa maneira, é visível a necessidade de políticas públicas para solucionar a problemática.
Assim, é evidente que a pobreza menstrual é um problema que precisa ser combatido. Portanto, o Ministério da Saúde deve garantir a dignidade menstrual para a população feminina, por meio da disponibilização de itens de higiene básicos em postos de saúde, ligados ao período menstrual, para a parcela de baixa renda, que irá garantir o acesso à absorventes, a fim de diminuir os índices de pobreza menstrual do país. Além disso, é preciso o investimento em saneamento básico, como o intuito de disponibilizar esses serviços a uma maior parte da população vulnerável. Dessa forma, situações como as que ocorreram com a personagem Allyssa, irão diminuir.