Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 17/09/2021

A menstruação é um processo natural e essencial do corpo feminino. Trata-se, portanto, de uma questão de saúde básica. Embora ainda seja um desafio, a distribuição de itens higiênicos frente ao combate da pobreza menstrual tem de ser direito de toda mulher, devendo ser gratuito e acessível a todas aquelas que precisarem. Isso se deve, sobretudo, as dificuldades enfrentadas, não só para custear com os produtos menstruais, mas também durante o período menstrual em si.

Primeiramente, devemos ressaltar a escassez de recursos quanto ao acesso a produtos de higiene íntima no período menstrual, visto que um pacote de absorvente simples custa em média 8 reais. Acerca disso, a Always, fabricante de absorventes no Brasil, constatou em uma pesquisa online que em determinado momento, pelo menos 29% de 1124 entrevistadas, não tiveram dinheiro para comprar absorventes. Outrossim, é necessário ressaltar que 4 milhões de meninas são atingidas pela privação de higiene nas escolas, e 713 mil destas vivem sem chuveiro e banheiro em casa, de acordo com estudo da Unicef.

Em segunda análise, convém debater que a pobreza menstrual pode acarretar consequências em diferentes aspectos da vida, dentre elas o abandono dos estudos. Em suma, a ONU divulgou que pelo menos uma, a cada dez meninas deixam de ir a aula quando estão menstruadas, por não possuírem produtos de higiene básica para o período. Além do mais, é do senso comum estar ciente de que muitas jovens substituem o absorvente por papel higiênico ou até mesmo por jornal, prática que pode levar ao desenvolvimento de uma infecção grave.

Em síntese, fica claro que a distribuição de itens higiênicos, como absorventes, frente ao combate da pobreza menstrual deve ser direito de toda mulher, de forma gratuita e acessível a todas. Portanto, cabe ao governo, em colaboração com as escolas, a criação de um projeto de lei que torne obrigatória a distribuição de absorventes e produtos de higiene de forma acessível e gratuita em todo o país, por meio da disposição desses produtos não só nas escolas da rede pública, mas também nas Unidades Básicas de Saúde, a fim de acabar com os índices de pobreza menstrual e garantir maior qualidade na saúde do país, uma vez que as mulheres que não tem condições de custear com os absorventes poderão obtê-los de forma gratuita e ilimitada, já que seu acesso será democratizado.