Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 17/09/2021
Ao analisar o tema sobre os desafios no combate à pobreza menstrual, tem-se como epicentro a desigualdade de renda que impossibilita o acesso a absorventes, uma vez que são comercializados com alta cobrança de impostos. Nesse contexto, dentre as várias complicações, tal realidade afeta a frequência das pessoas que menstruam nas escolas. A partir disso, considerando que, segundo Paulo Freire, o principal objetivo da educação é libertar o oprimido, a falta dela reafirma a queda das chances de se romper com o ciclo da pobreza.
Na Índia, por exemplo, abordar assuntos no que tange à menstruação e aos cuidados que ela requer são um tabu. Nesse sentido, pouco se discute a respeito e, conforme dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), cerca de 23% das meninas abandonam o colégio quando entram na puberdade. Dessa forma, a desinformação da sociedade sobre esse ponto se mantém e dificilmente é cessada, haja vista que, apesar de ter se tornado um país emergente, possui forte aumento das mazelas sociais ao longo dos anos.
Outrossim, é de suma importância discutir que, principalmente em nações machistas e patriarcais, pessoas que menstruam têm baixa, se não inexistente, autonomia financeira, o que se agrava, muitas vezes, pela falta de formação pedagógica. Por conseguinte, o poder aquisitivo individual é precarizado, de acordo com estudos da Forbes Economic, e atinge a aquisição de recursos para a higiene menstrual, tornando necessárias as soluções alternativas, como o uso de papelão, que comprometem a saúde íntima.
Depreende-se, portanto, que a circunstância urge por soluções, visto que a garantia de uma vida saudável é um direito universal. Assim, cabe à Organização Mundial da Saúde (OMS), através de parcerias com projetos locais de países do globo, como o “Fluxo sem Tabu” no Brasil, investir em meios para que os absorventes sejam produzidos de modo sustentável e acessível. Ademais, como extensão das aplicações, que se abra espaço de trabalho às mulheres nesta indústria, possibilitando, por fim, com essas medidas, a sua emancipação financeira, um maior alcance a produtos de limpeza individual e o início da ruína do ciclo da pobreza.