Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 17/09/2021

No famoso livro “Carrie, A Estranha” de Stephen King, há uma cena onde a protagonista é ridicularizada por suas colegas quando tem sua primeira menstruação durante o banho no vestiário da escola, além disso, a personagem se desespera por ignorar que o sangue era normal. Essa cena e outras do livro, podem ser vistas como um reflexo de como a sociedade encara o tema da menstruação, visto que este é tratado com preconceito e motivo de vergonha para as mulheres. Diante disso, é evidente o papel do tabu da menstruação como um dos principais obstáculos no combate a pobreza menstrual, sendo necessário um maior diálogo dentro da sociedade sobre o assunto como forma de garatir às muheres seus plenos direitos.

Em decorrência disso, é preciso sublinhar que ao longo da história humana, por exemplo durante a Idade Média, as mulheres que se encontravam no período menstrual eram vistas como impuras e eram segregadas dos cômodos das casas e de atividades diárias, resultante do medo delas contaminarem de alguma forma objetos do lugar. No contexto atual, ainda existem superstições relacionadas ao período da menarca que podem prejudicar a saúde da mulher, como deixar de tomar banho, e uma vergonha generalizada em falar da menstruação, que impede que as mulheres se pronunciem sobre suas necessidades fisiológicas e sanitárias.

Outro aspecto a ser aboradado é que a pobreza menstrual, que se caracteriza pela falta de acesso a produtos de higiene e infraestrutura de saneamento, impacta mais profundamente no Brasil as mulheres de classe social mais baixa e em situação vulnerável, por exemplo, pessoas que moram em casas onde não há banheiros ou chuveiros, e em especial a população negra. Uma vez que a pobreza menstrual é motivo das meninas faltarem à escola e às altas taxas de evasão escolar, sem contar o alto risco de infecções urinárias, o assunto deve ser encarado como problema educacional e de saúde pública.

Portanto, para garantir todos os direitos das mulheres dentro da educação e do acesso à saúde e dessa forma diminuir a desigualdade de gênero, se torna fundamental a instituição de políticas públicas para endereçar a problemática da pobreza menstrual. Nesse sentido, o MEC e o Ministério da Saúde, devem divulgar nas escolas e em postos de saúde informações sobre o período menstrual, além de disponibilizar em tais lugares absorventes. Assim, garantindo o acesso aos produtos de higiene essenciais, e melhorando o entendimento acerca da menstruação, possibilitando uma melhora na qualidade de vida das mulheres brasileiras.