Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 18/09/2021
A pobreza menstrual como instrumento de marginalização dos seus indivíduos
Condições precárias e falta de produtos básicos de higiene, uso improvisado de folhas ou panos e a falta de apoio nos períodos menstruais, têm sido alvo de debate nos últimos tempos. Ao contrário do que se pensa, a pobreza menstrual, como ficou conhecida, esta presente ainda numa pequena parte da sociedade.
Em primeira análise, é preciso relembrar a atual situação do país. Antes da pandemia, 10 milhões de pessoas estavam em situação de fome, hoje esse número elevou-se para 19 milhões. Ou seja, em um plano estrutural onde o alimento, fonte principal de energia e item básico de sobrevivência é faltante, itens como absorventes, tampões e remédios para cólicas se tornam artigos de luxo nas famílias com baixo poder aquisitivo.
Em segunda análise, cabe ressaltar que não somente em ambiente domiciliar a pobreza menstrual se faz presente, mas também em escolas, prisões e postos de saúde. O não acesso a informação e a itens de cuidado pessoal, marginalizam essas mulheres e às colocam em situações precárias de higiene. Sendo que no Brasil, cerca de 6 milhões de mulheres vivem sem saneamento básico e não podem se higienizar corretamente.
Tais fatores supracitados, são portanto imprescindíveis objetos de análise e reflexão sobre medidas que possam ser tomadas para sanar o problema. Entre eles, políticas públicas que contemplem famílias carentes e distribuam mensalmente artigos para higiene menstrual em postos de saúde, escolas e prisões.
Além disso, projetos de compartilhamento podem ser incentivados no ambiente escolar. Onde a estudante que tiver maior acesso, coloca em um compartimento no banheiro estes itens para que aquelas que precisam, possam pegar quando necessitem durante o período menstrual.
Não obstante, Instituições de Ensino e Saúde devem se capacitar para dar devido suporte e informações a sociedade sobre a menstruação e os fatores que a ela implicam. Sendo também passível de discussão, a inclusão do acesso aos absorventes, tampões, coletores menstruais e remédios para cólicas, como direito de questão pública pela ONU.