Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 18/09/2021
No início do século XX, a Revolta da Vacina expôs a ignorância do povo brasileiro quanto aos métodos sanitários básicos a uma sociedade. Analogamente, na contemporaneidade uma grande porcentagem da população não dispõe de acesso à informação relacionada ao processo de menstruação. Além disso, muitas adolescentes e mulheres adultas enfrentam a chamada “Pobreza Menstrual”, caracterizada pela não disponibilidade de itens básicos de higiene durante o período de menorreia. Logo, urge que a falta de orientação e acesso aos meios básicos de saúde seja analisada a fim de mudar essa realidade.
Em primeira análise, verifica-se que tal conjuntura ultrapassa o rigor físico. A violência aos direitos humanos não consiste apenas no embate físico, o desrespeito está –sobretudo- na perpetuação de diligências que atentam contra a dignidade da pessoa humana ou de um grupo social. Essa é a opressão simbólica da qual trata o sociólogo Pierre Bordieu: a negligência do sistema de saúde pública com a necessidade biológica de todas as mulheres. Sendo assim, a distribuição de produtos básicos à higiene menstrual deve ser realizada na intenção de dar às mulheres dignidade.
Outrossim, a lenta mudança da mentalidade social dificulta o entendimento de que há diferenças biológicas entre gêneros. É importante destacar que de acordo com as ideias de Émile Durkheim o fato social é uma maneira coletiva de pensar a qual determina inúmeros comportamentos sociais. Ao seguir essa linha de raciocínio, constata-se que o pensamento de que a sociedade deve padronizar apenas as necessidades naturais dos homens como relevantes sempre esteve presente na construção cultural brasileira colaborando para a manutenção do problema de negligência com a saúde feminina. Dessarte, a quebra de padrões torna-se pertinente para a melhoria do bem-estar das mulheres.
Depreende-se, portanto, que o desamparo do sistema público de saúde com necessidades vinculadas à menstruação é um problema nacional que possui elucidação indispensável. Em um primeiro momento, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com plataformas online de grande engajamento, orientar crianças e adultos através de vídeos educativos sobre como funciona o processo menstrual e quais as medidas a se tomar quando presenciarem tal evento. Ademais, compete ao Congresso Nacional efetivar políticas públicas que contemplem a realidade de todos os gêneros, visando atenuar as dificuldades, principalmente do grupo feminino, oferecendo produtos e suportes essenciais durante período menstrual das mulheres brasileiras. Assim, os empecilhos enfrentados por parcela da população feminina serão suprimidos.