Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 18/09/2021

Menstruar é um processo biológico e natural para pelo menos metade de toda população mundial. Apesar disso, não existem medidas públicas para garantir o acesso à itens básicos e essenciais à saúde pessoal nesse período, além disso, não há preocupação maior com esse tema já que não é vastamente divulgado os problemas causados por essa carência. Deste modo, é incoerente que ainda em 2021 não existam políticas públicas efetivas para auxiliar seres que precisam de cuidados adicionais pelo menos uma vez ao mês.

A menstruação não é uma escolha, tampouco uma doença a ser curada ou tratada. É sabido que a constituição e os direitos humanos focam nos aspectos inerentes à saúde biopsicossocial humana, como acesso a moradia, alimentação e lazer; e é essencial garantir esses direitos à população. Paralelo a isso, a descamação do endométrio não é tratada da mesma forma, mesmo não sendo um processo voluntário. De acordo com o movimento ´´livre para menstruar´´, uma iniciativa pela Girl Up, uma em quatro mulheres não têm acesso a absorventes no Brasil. Portanto, é preciso criar medidas para garantir o acesso a itens de saúde para o período menstrual.

Além disso, é uma questão de saúde a boa higiene no período menstrual. Pois, por se tratar de uma mucosa, o canal vaginal, a uretra e o colo do útero; é indispensável a lavagem com água e a troca de absorventes externos ou internos. A falta desses cuidados está associada a doenças infecciosas, candidíase e síndrome do choque tóxico que pode levar a morte: esses problemas são apontados em um relatório da UNICEF sobre pobreza menstrual. Em vista disso, a negligência política perante esse tema está prejudicando populações de mulheres e homens com úteros funcionais que estão em situação de pobreza e miséria. Logo, há uma necessidade de estabelecer políticas públicas eficazes para resolver esse impasse.

Por fim, o acesso a absorventes e a falta de políticas públicas é uma questão a ser resolvida pelo Ministério da Saúde em conjunto com o SUS. É preciso que esses órgãos públicos adotem medidas e campanhas para a distribuição de absorventes em áreas periféricas, por meio de uma análise populacional e ajustes no orçamento proporcionais à demanda. Ademais, políticos e setores governamentais devem estimular a doação de absorventes por empresas especializadas para ONGs ou comunidades necessitadas, através de redução de impostos e premiações humanitárias simbólicas. Dessa forma, será possível estabelecer a redução da pobreza menstrual que perdura no Brasil.