Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 19/09/2021
No documentário ‘‘Absorvendo o Tabu’’, há debate sobre da inacessibilidade das mulheres aos absoreventes higiênicos. Analogamente à trama, o Brasil sofre com a pobreza menstrual, incapacitando o acesso de milhares de pessoas aos produtos básicos de higiêne pessoal, como os absorventes e coletores menstruais. Com isso, vale ressaltar que a negligência governamental em disponibilizar esses itens nas escolas e a desigualdade social são desafios no combate à esse problema.
É relevante abordar, primeiramente, que um dos fatores para que esse problema continue é a negligência estatal. Nesse panorama, a Constituição de 1988 rege que todo cidadão tem direito à saúde. Entretanto, observa-se que não há o pleno exercício dessa lei, uma vez que sem a interferência dos órgãos públicos, como não distribuir produtos de cuidado pessoal nos postos de saúde e nas redes de ensino, muitos indivíduos sofrem com a pobreza menstrual, o que pode acarretar em problemas de saúde como candidíase e infecções urinária. Como prova disso, a CNN Brasil publicou que mais 3,5 milhões de meninas não tem acesso à esses materiais de higiene dentro dos colégios.
Ademais, outro agente que fomenta a continuidade desse problema é a desigualdade social. Tal agente é explicado no livro ’’ A Economia dos Pobres’’, de Esther Duflo, a autora discute acerca de como a população em vulnerabilidade tem sua saúde afetada por conta da falta de cuidados básicos de higiene. Fora da obra, essa é a realidade de milhares de pessoas que não possuem condições socioeconomicas para comprar absorventes e coletores menstruais e, por conta disso, são obrigadas a improvisar os produtos de higiene pessoal. Em protesto á isto, a senadora Zenaide Maia afirma que mais de 10% da população brasileira de baixa não consegue arcar com os itens de cuidados menstruais. Logo, a negligência estatal em não democratizar absorventes e a desigualdade social, que impossibilita o acesso da população de baixa renda à esses materiais de higiene são desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil.
Evidencia-se, portanto, a urgência de combater esses obstáculos. Nesse viés, a fim de acessibilizar produtos de higiêne pessoal à todos que precisam e de combater os problemas de saúde causados pela falta de cuidados, como infeccçoes urinárias, é dever do Ministério da Saúde, órgão responsável pela proteção e recuperação da saúde da população, destinarem verbas para a distruibuição de absorventes nas escolas e postos de saúde. Além disso, urge que essa mesma instituição em parceria com as redes de ensino, através de palestras e aulas, falem abertamente sobre o ciclo menstrual com meninos e meninas. Somente assim, não haverá mais pobreza menstrual e todos terão acesso aos cuidados básicos, diferente do documentrário ‘’Absorvendo o Tabu’’.