Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 19/09/2021
No documentário “Absorvendo o tabu”, é relatado o cotidiano e as dificuldades de várias mulheres do Oriente Médio que não tem acesso ao absorvente, um item básico de higiene. Não distante da realidade do Brasil, a pobreza menstrual é um problema recorrente na vida das pessoas que possuem útero no país. Nesse sentido, a falta de informações sobre o período menstrual e a baixa condição financeira de uma parte da população são fatores que desfavorecem o combate da problemática.
De início, a escassez de debates sobre a menstruação colabora com o agravamento da situação no Brasil. Nessa perspectiva, na série “Anne with an e” a protagonista Anne, chora ao menstruar pela primeira vez, pois pensa que é um sintoma de uma doença grave. Em consonância com o mundo real, o drama vivenciado pela personagem expõe o grande tabu presente na sociedade acerca do período menstrual, no qual, é visto como motivo de vergonha e impureza, esse discurso erroneo colabora com o afastamento das pessoas em relação ao tema, uma vez que, atrela um sentido perjorativo a processo biológico completamente normal, e assim, prejudica o alcance de informações até mesmo entre indivíduos com útero. Portanto, é preciso que a mídia aborde mais sobre o tópico, afim de quebrar os estigmas que a menstruação carrega.
Ademais, a precária situação financeira impede que diversos cidadãos adquiram itens considerados básicos de higiene. Segundo pesquisa realizada por Toluna e Marian Goldenberg, uma em cada quatro meninas faltaram aula por não ter acesso a absorventes. O dado levantado pela pesquisa demonstra uma triste rotina de mulheres com baixa renda, que são barradas do convívio social, devido a privação de um recurso essencial que atualmente é visto como artigo de luxo ao invés de indispensável. Logo, é necessário que o governo disponibilize absorventes gratuitamente em locais públicos, e assim, solucionar o problema enfrentado por uma parte significativa da população brasileira.
Dessa forma, é vital combater a pobreza menstrual causada falta de informações e a baixa renda financeira. Diante disso, cabe ao Ministério da Saúde, órgão responsável pelo setor, garantir para as pessoas com útero o acesso a itens básicos de higiene, como, coletor menstrual, tampões íntimos e absorventes, através da criação de verbas voltada para compra desses recursos, com finalidade de assegurar os direitos mínimos desses cidadãos. Destarde, a realidade retratada no documentário “Absorvendo o Tabu” é uma constante em muitos países, que ignoram o problema que pobreza menstrual evidencia: a falta de mercadorias fundamentais para uma vida digna de um determinado grupo expressivo da população mundial.