Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 20/09/2021
O filme “Confissões de adolescentes” retrata o cotidiano de 4 jovens irmãs no processo de amadurecimento. Sob essa ótica, um processo natural e biológico, a menstruação, era tratado com naturalidade e apoio pelas meninas, que ajudavam e disponibilização absorventes caso alguma precisa-se. Entretanto, fora da ficção, a realidade revela-se outra, tendo em vista que, ao menos, 713 mil meninas vivem sem, sequer, banheiro ou chuveiro em casa. Diante disso, a pobreza menstrual ainda é um desafio no brasil devido a questões: econômicas e educacionais, as quais precisam ser combatidas.
Nesse contexto, é relevante destacar como problemas financeiros imposibilitam o acesso a itens básicos de saúde. Sob esse viés, o Brasil em 2020, consoante a ONU, voltou para o mapa da fome com, no mínimo,19 milhões de brasileiros passando por insegurança alimentar. Esse panorama demonstra como boa parte da população não consegue nem se alimentar quem dirá comprar calcinhas absorventes, tampões e coletores. Um exemplo disso são os dados disponibilizados pela senadora Zenaide Maia, a qual afirmou que para 13% de indivíduos mais de 10% da renda iria para auxiliar com a menstruação, uma quantia substâncial, a qual, poderia significar menos alimento. É perceptível, então, como a ausência de dinheiro é uma adversidade a ser superada.
Além disso, outro ponto a mencionar é como a falta de informação potencializa a pobreza menstrual. Nesse sentido, a menstruação ainda é muito estigmatizada e pouco debatida, o que limita as meninas a informações, muitas vezes ultrapassadas, divulgadas pelas mães e famíliares. Seguindo essa lógica, essas jovens mulheres podem acreditar que não há outros métodos para contenção do sangue e ficarem restritas a métodos arcaicos, bem como paninhos e jornais. Essa conjuntura pode ser observada no documentário “Absorvendo o Tabu”, o qual revela jovens que passam de geração para geração como única alternativa para conter os fluidos retalhos de panos, frequentemente, não conhecendo nem o absorvente. Desse modo, as jovens ficam reféns de um cenário de pobreza por nem saberem sobre outros métodos.
Portanto, é necessário tomar providências para amenizar o quadro atual. Isso posto, urge ao Ministério da Saúde, por esse ter como função,delimitada pela Constituição de 1988 , assegurar o bem-estar tanto físico quanto emocional da população, disponibilizar itens de higiene básica. Essa ação pode ser feita através de uma campanha de distribuição de absorventes em postos de saúde- que pode contar com slogan, por exemplo, “Menstruação Não Para”- com a finalidade de todas as meninas terem acesso. Ademais, cabe ao Ministério da Educação instruir as jovens sobre o periodo menstrual através de aulas a fim de mostrar as oportunidades.Com essas medidas, o flme retratará mais a realidade.