Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 20/09/2021
Em meados do século XX, o escritor austríaco Stefan Zweig mudou-se para o Brasil devido à perseguição nazista na Europa. Bem recebido, Zweig escreveu um livro ufanista cujo título é até hoje repetido: “Brasil, país do futuro “. Entretanto, ao observar os desafios no combate à pobreza menstrual, verifica-se que essa profecia é constatada na teoria, e não desejavelmente na prática. Em verdade, seja pela falta de investimentos, seja pela ausência de debates, há urgência em desconstruir esse revés. Basilarmente, é crucial pontuar que a falta de investimentos deriva da baixa atuação governamental, no que compete à criação de mecanismos que coíbam tal ocorrência. De acordo com Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, contudo, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de ação das autoridades, há alta no preço dos absorventes, tornando-os inacessíveis para parte das mulheres da população, resultando na falta de higiene e consequentemente em doenças genitais. Dessa forma, faz-se necessária a reformulação dessa postura estatal.
Outrossim, é imperativo ressaltar o ausência de debates como promotora do problema. Consoante a Instituição Ipsos Mori, em 2017, o Brasil foi considerado o segundo país mais alienado do mundo. De fato, a falta de conhecimento da população sobre a pobreza menstrual assusta, visto que muitas moças sofrem com tamanha desigualdade, e o que era pra ser básico tornou-se privilégio dos mais ricos. Muitas adolescentes em seu período menstrual, ausentam-se na escola por não ter condições de sair em dada situação sem os produtos necessários, o que torna clara a discrepância social. Destarte, é mister que a informação sobre o tema seja popularizada.
É evidente, portanto, a existência de entraves para garantir a solidificação de políticas públicas que visem à construção de um mundo melhor. Dessarte, com o intuito de mitigar os desafios no combate à pobreza menstrual, o Ministério da Saúde deve promover projetos, por meio de profissionais da área e investimento estatal, que promovam a distribuição de absorventes e coletores menstruais em ambientes públicos, como também nas escolas. Então assim, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo do empecilho, e a coletividade alcançará a profecia de Zweig.