Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 21/09/2021

No documentário “Absorvendo tabu”, é relatado como a falta de condições financeiras impacta a vida de milhares de mulheres indianas, ocasionando até mesmo a evasão escolar desse grupo. Não distante da realidade brasileira, a falha na distribuição nacional do saneamento básico e a carência do acesso gratuito a absorventes contribuem para a inadequação da higiene feminina no período menstrual. Desse modo, torna-se imprescindível debater acerca dos desafios para combater a pobreza menstrual no Brasil.

Em primeiro lugar, de acordo com um levantamento realizado pelo Unicef, 6,5 milhões de meninas vivem em casas sem ligação à rede de esgoto. Por isso, a distribuição desigual do saneamento básico no Brasil se comporta como um entrave para garantir a higiene correta. Desse modo, é inaceitável que medidas cabíveis não sejam tomadas uma vez que é dever do Estado garantir a promoção igualitária da saúde e seu acesso universal de acordo com a Constituição Federal de 1988.

Em segundo lugar, a falta de acesso universal a absorventes em escolas e unidades de saúde pública representam a desassistência estatal com a população de baixa renda, principalmente em países subdesenvolvidos. De acordo com a representante do Fundo de População das Nações Unidas no Brasil, a ausência de condições sanitárias mínimas para que as mulheres possam gerenciar sua menstruação é uma violação de direitos humanos. É inadmissível que em um país signatário da Declaração Universal dos Direitos Humanos não produzam politícas públicas que amenizem esse impasse.

Em suma, bem como o documentário citado, soluções eficazes e baratas são de extrema importância para o combate a esse impasse. O Governo Federal em parceria com instituições privadas deve promover o acesso gratuito a absorventes em escolas e unidades básicas de saúde. Ademais, criar descontos em coletores menstruais para a população de baixa renda  a fim de melhorar a questão da menstruação feminina no Brasil.