Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 20/09/2021
Menstruar é um processo biológico e natural para pelo menos metade de toda população mundial. Apesar disso, não existem medidas públicas para garantir o acesso a itens básicos e essenciais à saúde pessoal nesse período, além disso, não há preocupação maior com esse tema já que não são vastamente divulgados os problemas causados por essa carência. Logo, a implementação de políticas públicas é necessária na resolução desse impasse.
Primeiramente, a menstruação não é uma escolha, tampouco uma doença a ser curada ou tratada. É sabido que a constituição e os direitos humanos focam nos aspectos inerentes à saúde biopsicossocial humana, como acesso à moradia e é essencial garanti-los à população. Paralelo a isso, a descamação do endométrio não é tratada da mesma forma, mesmo não sendo um processo voluntário. Uma em quatro mulheres não têm acesso à absorventes no Brasil de acordo com o movimento ´´livre para menstruar´´, uma iniciativa pela Girl Up. Portanto, é preciso criar medidas para garantir o acesso a itens de saúde para o período menstrual.
Além disso, é uma questão de saúde a boa higiene no período menstrual. Pois, por se tratar de uma mucosa, o canal vaginal, a uretra e o colo do útero é indispensável a lavagem com água e a troca de absorventes externos ou internos. A falta desses cuidados está associada às doenças infecciosas, candidíase e síndrome do choque tóxico que pode levar a morte: esses problemas são apontados em um relatório da UNICEF (Fundo das Nações Unidas para Infância) sobre pobreza menstrual. Em vista disso, a negligência política perante esse tema está prejudicando populações de mulheres e homens com úteros funcionais que estão em situação de pobreza e miséria, além de ser um absurdo para um país tão avançado a existência desses problemas. Logo, há uma necessidade de estabelecer políticas públicas eficazes para resolver esse impasse. Por fim, o acesso à absorventes e a falta de políticas públicas são questões a serem resolvidas pelo Ministério da Saúde em conjunto com o Sistema Único de Saúde (SUS).
É preciso que esses órgãos públicos adotem medidas e campanhas para a distribuição de absorventes em áreas periféricas, por meio de uma análise populacional e ajustes no orçamento proporcionais à demanda. Ademais, políticos e setores governamentais devem estimular a doação de absorventes por empresas especializadas para ONGs ou comunidades necessitadas, através de redução de impostos e premiações humanitárias simbólicas. Dessa forma, será possível estabelecer a redução da pobreza menstrual que perdura no Brasil.