Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 20/09/2021

O documentário “Absorvendo o Tabu” entrevista diversas pessoas indianas sobre a menstruação e os estigmas sobre a temática, muitos não sabiam o que era um absorvente. Assim, o curta-metragem revela que mesmo na era das informações há parcelas da população que sofrem com a falta delas sobre itens de higiene básicos da mulher. Ao refletir a respeito da pobreza menstrual, no Brasil, a problemática ocorre em virtude de dois fenômenos: desigualdade social, acompanhada pela persistência do tabu acerca dos assuntos femininos. Dessa maneira, faz-se indispensável enfrentar essa realidade com uma postura crítica.

A princípio, torna-se possível perceber que no Brasil a desigualdade social revela-se nos direitos mais básicos do ser humano, uma vez que para as camadas mais baixas da população os itens de limpeza são luxos. Diante disso, percebe-se de acordo com o jornalista Gilberto Dimenstein na sua teoria “Cidadãos de Papel”, a qual expõe sobre as falhas dos direitos, visto que nem sempre as leis são cumpridas, subtraídas pelo governo. Analogamente, devido a falta de recursos das famílias muitas não conseguem comprar os itens de higiene bacias femininos, como absorventes ou coletores. Além disso, segundo o Ministério de Saúde a distribuição de absorventes gratuitos para a sociedade é um direito de saúde pública, porém ainda muito pouco discutido e viabilizado para as comunidades carentes.

Desse modo, o estigma em cima da saúde feminina corroboram também para a miséria menstrual. À vista disso, nota-se desde os tempos antigos que as mulheres foram ensinadas a não falarem sobre assuntos considerados tabus como menstruação e sexo, desde então ocorreu a perpetuação do silenciamentos acerca desses assuntos importantes para uma vida saudavel. Seguindo essa linha de pensamento, por exemplo o livro “Livre Para Recomeçar” da brasileira Paola Aleksandra, o qual se passa no Brasil em 1880 e conta a história de Anastasia diagnosticada com histeria feminina, pois não conseguiam explicar os sintomas comuns das mulheres em seus períodos menstruais e as submeteram a torturas e métodos de dor para sua “cura”.

Por conseguinte, fica claro que ainda há entraves para assegurar a construção de um mundo melhor. Destarte, faz-se imprescindível que Organizações Não Governamentais (ONGs) em parceria com empresas público-privadas, para a arrecadação e distribuição de itens de limpeza como absorventes e coletores para esse período feminino nas escolas e universidades públicas, de forma a quebrar as desigualdades e o tabu acerca dessa temática na sociedade, com a finalidade de que a população possa viver uma vida saudável e usufrua de seus direitos. De forma que o tecido social desprenda-se de certos tabus e situações como do documentário “Absorvendo o Tabu” continuem apenas na ficção.