Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 04/10/2021
No fim do século XIX, estudos para a criação de absorventes descartáveis começaram na Alemanha. Por oferecer condições básicas de saúde ele deveria ser de fácil acesso a todas as pessoas que menstruam. Infelizmente, no contexto brasileiro, a pobreza menstrual inviabiliza esse processo. Nesse sentido, a desconstrução da desinformação acerca da menstruação, bem como a redução da disparidade econômica são iniciativas capazes de fazer com que o problema seja tratado com a devida importância.
Em primeiro plano, é necessário ressaltar que a marginalização do tema restringe o conhecimento sobre a menstruação. De acordo com a Organização das Nações Unidas(ONU), o acesso à higiene menstrual é um direito que deve ser tratado como um assunto de saúde pública e de direitos humanos. Porém, o desprestígio do Estado em relação à menstruação torna a precariedade menstrual ainda mais evidente. Consequentemente, o atual cenário de exclusão de um número considerável de pessoas que menstruam, impossibilitadas de cuidar da saúde menstrual, mantém-se presente no país.
Paralelo a isso, vale também ressaltar que o elevado custo de absorventes descartáveis intensifica a pobreza menstrual. A senadora Zenaide Maia, do partido Prós-RN, estima um gasto de R$ 30 por ciclo menstrual. Em tal contexto, a instabilidade financeira gerada pela distribuição desigual de renda dificulta ainda mais o acesso a produtos como coletores menstruais, tampões íntimos e absorventes. Dessa forma, é fundamental a criação de políticas públicas em prol da resolução desse problema.
Portanto, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, governos locais e sociedade desenvolver campanhas envolvendo a distribuição de produtos de higiene menstrual e cartilhas sobre saúde menstrual nos postos de saúde e nas instituições de ensino. Além disso, a ilustração e os textos das cartilhas podem ser feitos por artistas locais. Com essas medidas, será possível mudar a atual conjuntura, amenizando a desigualdade social e a desinformação acerca da menstruação.