Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 28/09/2021

De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um “corpo biológico”, por ser, assim como esse, composta por partes que interajam entre si. Desse modo, para se obter um pleno funcionamento do meio social, é necessário mantê-lo igualitário e coeso. Contudo, no Brasil, isso não ocorre, visto que há desafios para combater a pobreza menstrual no país. Isso é possível devido à falta de informação, além da priorização do governo, favorecendo assim um cenário de iniquidade. Em primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de conscientização como um dos principais desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil. Segundo o filósofo Rousseau, “o homem nasce livre, mas por toda parte se encontra acorrentado”. Nessa perspectiva, depreende-se que por se tratar de um assunto relacionado a saúde íntima da mulher, menstruação nunca foi um assunto abordado abertamente na sociedade. Sendo assim, muitas mulheres pobres sem condições financeiras de comprarem produtos básicos que contenham a menstruação não conseguem mostrar a sua realidade e pedirem ajuda a outras pessoas, sendo preciso improvisar com itens inadequados como, por exemplo, folhas de jornal e papelão. Dessa forma, essas mulheres continuam caladas enfrentando essa situação precária. Ademais, a priorização governamental emerge como um dos principais dificultadores do combate à pobreza menstrual no país. Conforme a filósofa Hanna Arendt, “quando uma atitude agressiva ocorre constantemente, as pessoas param de vê-la como errada”. Nesse sentido, historicamente, a política brasileira sempre preteriu os problemas relacionados a população mais pobre e priorizou solucionar os problemas que afetassem a elite. Com isso, é possível observar esse hábito se aplicando atualmente com a ausência de apoio do governo com as mulheres de baixa renda que sofrem com a falta de itens básicos para a menstruação. Assim, a qualidade de vida dessas jovens é afetada, já que acabam deixando de fazer inúmeras atividades por falta de recursos de higiene. Dessa maneira, nem todos os cidadãos possuem seus direitos garantidos. Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigarem essa problemática. Para isso, é preciso que a mídia, como difusora de informação, por meio de propagandas e ficções engajadas, alerte a população sobre as dificuldades enfrentadas pelas mulheres de baixa renda em seus ciclos menstruais, a fim de dar voz a esse público e assim conseguir promover o acesso aos produtos de higiene necessários a todas as mulheres. Além disso, é imprescindível que o poder público, como regulador social, por intermédio de políticas públicas, distribua nos postos de saúde, absorventes e coletores menstruais de modo a garantir os direitos de todos assegurados e melhor qualidade de vida as jovens de baixa renda. Desse modo, contribuindo para a concretização do pensamento de Durkheim.