Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 27/10/2021

A Constituição Federal de 1988, em seu Artigo 6º estabeleceu que a saúde é um direito social garantido à população. Entretanto, décadas se passaram, e por existir desafios com a pobreza menstrual no Brasil, os indivíduos estão distantes de verem o Artigo 6º fora da teoria. Nesse sentido, essa situação é extremamente prejudicial à sociedade, assim, demandam-se atuações de agentes sociais e estatais. Nesse viés, essa problemática potencializa não só a evasão escolar, mas também uma saúde deficitária.

Em primeiro lugar, convém elucidar as faltas escolares como um fato recorrente, em virtude do período menstrual feminino. Sob essa ótica, de acordo com as ideias do contratualista John Locker configura-se uma violação do Contrato Social, já que o Estado não cumpre com sua função de garantir que tais jovens usufruam de direitos imprescindíveis, como o acesso à educação. Ocorre que as muitas escolas públicas possuem estruturas sucateadas e sem higiene básica, assim, atrelada a falta de absorvente ao chegar o período menstrual, as meninas são obrigadas a faltar. Dessa forma, se a inércia do Estado se mantiver, os estudantes serão obrigados a conviver com um dos mais graves problemas para sociedade contemporânea: a evasão escolar.

Paralelamente, cabe ressaltar os obstáculos na saúde, em decorrência da falta de higiene feminina. Nesse contexto, o documentário da Netflix, “Absorvendo o Tabu” retrata a vida de mulheres que vivem em um vilarejo rural na Índia e usam panos no lugar de absorventes durante a menstruação. Sob esse viés, essa realidade também é vivida no Brasil e por não terem a possibilidade de lavar os panos, eles criam um campo de bactérias, que contaminam e levam muitas delas à morte. Dessa maneira, não é razoável que com o objetivo de ser uma nação desenvolvida, o Brasil ainda conviva com essa realidade de tanto descaso com as mulheres.

Em suma, são inegáveis os impasses existentes ao debater a pobreza menstrual. Portanto, é imprescindível que o Poder Público destine maiores investimentos para a educação, por intermédio da melhoria das estruturas e o oferecimento de utensílios básicos de higiene pessoal, com o objetivo de atenuar a evasão escolar. Além disso, compete às escolas, por meio de parcerias público privadas, oferecer absorventes nas escolas e palestras com profissionais da saúde explicando a importância da higiene feminina, com o intuito de diminuir as doenças causadas entre as mulheres. Por conseguinte, caso essas medidas ocorram, a promessa da Carta Magna deixará de ser apenas teoria.