Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 21/09/2021
De acordo com o famoso pensador Aristóteles, a menstruação das mulheres, naquela época, era similar ao fluxo de sangue de uma animal sacrificado. Tal forma de pensamento pode ser considerada positiva, visto que a comunicação com os Deuses era feita através do sacrifício animal. Contudo, há a parte negativa e arcaica em tal afirmação em relação ao ciclo mentrual, uma vez que a mulher era vista de forma preconceituosa. A partir de tal fato, observa-se que existe um estigma relacionado à mentruação, que em conjunto com a dificuldade no acesso a itens básicos de higiene, agrava de forma significativa a pobreza mentrusal no país.
Sob tal aspecto, é importante ressaltar que, infelizmente, ainda vivemos em uma sociedade machista, o que implica na ineficácia da distribuição de informações sobre um tema tão essencial como a mentruação. A partir do documentário “Absorvendo o Tabu”, exibido pela rede de streaming Netflix e ganhador do Oscar 2019, analisa-se que a pobreza menstrual afeta o cenário mundial, uma vez que o documentário exibe como foi desenvolvida uma máquina para criar absorventes biodegrádaveis e de baixo custo para mulheres pobres de vilarejos indianos. Logo, é indiscutível que viver em uma sociedade com pensamentos obsoletos e machistas prejudica a sociedade, sobretudo as mulheres.
Ademais, o Brasil é o sexto país mais desigual do mundo, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas. E, também, em uma pesquisa realizada pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) em conjunto com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) mais de 4 milhões de meninas não possuem acesso à itens de cuidados mentruais nas escolas. Tais fatos, exacerbam a pobreza menstrual no Brasil, visto que, os itens deveriam ser gratuitos e de fácil acesso para todos, assim como os preservativos.
Portanto, é irrefutável que medidas devem ser tomadas para combater os desafios da pobreza menstrual. A partir disso, o Ministério da Saúde em conjunto com os postos de saúde deveriam disponibilizar absorventes gratuitos, por meio de postos de distribuição em locais públicos como praças e estações de metrô, com a finalidade de permitir que a falta de dinheiro não afete a higiene das mulheres pobres. Além do mais, as escolas deveriam ensinar as crianças sobre menstruação, por meio de aulas e atividades informativas, a fim de estagnar pensamentos ultrapassados sobre o corpo feminino. Assim, colaborando para que o tabu “menstruação” seja superado e que a menção de Aristóteles seja apenas histórica e não reflita na sociedade moderna de forma negativa.