Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 21/09/2021

Em seu livro “Ética a Nicômaco”, Aristóteles afirma que a política existe para garantir o bem-estar dos cidadãos. Entretanto, no que tange à saúde e higiene feminina, tem-se que a falta de comprometimento governamental, tanto no âmbito socioeconômico quanto na esfera de saúde pública, consolidou a pobreza menstrual em estado de negligência.

Sob a ótica da estrutura social do Brasil, é possível ratificar que a devastadora insegurança financeira é um entrave para a solução da pobreza menstrual. De acordo com IBGE, o Brasil alcançou, em 2019, o terrível título de nono país mais desigual do mundo, conforme o cálculo do Índice de Gini. Essa realidade pode ser encarada, por exemplo, na população em situação de rua - na qual cerca de 15% são mulheres - “mergulhada” na extrema pobreza que permeia o território brasileiro, tal qual dificulta ou impede a aquisição de utensílios básicos de higiene, como absorventes, regularmente.

Ademais, urge destacar o desleixo do poder estatal em garantir os plenos direitos dos cidadãos. Proposto pelo filósofo contratualista J. J. Rousseau, o contrato social é a oficialização de um acordo entre o povo e o seu governante, este, responsável por assegurar o bem-estar geral. Em contrapartida, os órgãos públicos brasileiros permanecem inertes diante da pobreza menstrual, acentuando ainda mais a segregação social, haja vista que na ausência de absorventes meninas e mulheres são privadas de explorar os ambientes escolares e trabalhistas.

Portanto, urge que o Estado, através do Ministério da Saúde e do Ministério da Cidadania, promova a mitigação desse entrave. Dessa forma, por meio do investimento de parte das verbas públicas em artigos de higiene como absorventes descartáveis, tampões e coletores menstruais, os órgãos encarregados devem distribuir esses artefatos em postos de saúde, instituições de ensino e banheiros públicos com fito de acabar com o cenário de exclusão social acentuada pela pobreza menstrual e, assim, trazer essas pessoas marginalizadas para a superfície.