Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 22/09/2021
Na série “The end of the fucking world”, a jovem Alyssa furta uma farmácia, por não ter condições financeiras para comprar itens de higiene menstrual. Entretanto, na sociedade brasileira, a pobreza menstrual tem se mostrado frequente, a qual há uma grande comunidade de adolescentes mulheres que não possuem um absorvente. Sob essa perspectiva, a razão motivadora, como a falta de acesso a itens básicos de higiene no Brasil deve ser mudada sem morosidade.
Sob esse viés, no Brasil, uma a cada quatro adolescentes não possui um absorvente menstrual. Nesse viés, como apontado pela escritora Carolina de Jesus, no seu livro “Quarto de Despejo”, disserta sobre as péssimas condições de vida da população periférica. Nesse sentido, infere-se que a ineficácia da distribuição de saneamento no Brasil prejudica a situação, uma vez que brasileiros de regiões periféricas não têm condições necessárias para realizar a higiene exigida nesse período. Consequentemente, o número de doenças relacionadas à pobreza menstrual, como infecções, tende a aumentar. Deste modo, nota-se que a falta de distribuição de absorventes para as adolescentes, contribuem significativamente para a perpetuação da problemática.
Ademais, a falta da elaboração de políticas públicas proporciona o agravamento da situação. De acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, parte dos setores sociais são “instituições zumbi”, pois falham em desenvolver seus papéis. Nessa perspectiva, as instituições públicas, como o Ministério da Saúde, apresentam-se deficientes em desenvolver projetos direcionados ao combate da pobreza menstrual, uma vez que é notória a falta de projetos voltados para o tema. Como consequência, a pouca quantidade de projetos contribui para o desamparo da população mais pobre, assim como exemplificado por Carolina de Jesus. Dessa maneira, é possível inferir que instituições mais engajadas são de suma importância para atenuar esse impasse.
Infere-se, portanto, que é necessária a intervenção imediata perante a falta de acesso a higiene básica para as mulheres brasileiras. Logo, o Ministério do Meio Ambiente, juntamente ao Ministério da Saúde, deve criar projetos de saneamento básico em comunidades carentes. Dessa forma, é necessária a distribuição de verbas, que possibilitem o sucesso das obras, a fim de garantir o saneamento e dignidade menstrual para a população. Além disso, o Ministério da Saúde deve promover políticas públicas, como a distribuição gratuita de absorventes em unidades básicas de saúde.