Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 24/09/2021

Gilberto Dimenstein, escritor e jornalista brasileiro, apresenta em seu livro “Cidadão de Papel” a cidadania como direito mais elementar, pois significa essencialmente “o direito de viver decentemente”. Sendo assim, analisar a pobreza menstrual no Brasil leva a uma reflexão sobre o persistente abismo informacional na sociedade e revela uma grande falha na cidadania

Em primeira análise, segundo dados da CNN Brasil, 4 milhões de meninas passam pela privação de higiêne na escola, incluindo a falta de absorventes. Nesse contexto, é notório o précario acesso a itens necessários mensalmente por uma significativa parcela da população.Nisso, evidencia-se uma questão que diz respeito à saúde pública e aos direitos humanos. Este panorama de ineficácia das esferas de poder, caracteriza a teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo contemporâneo, Zygmunt Bauman, na qual apesar de existirem na sociedade não exercem seu dever propriamente. Desse modo, itens que deveriam ser considerados básicos são vistos como luxuosos devido, principalmente, à falta de políticas que visam o fornecimento de absorventes, coletores e tampões.

Ademais, historicamente existe uma construção ao redor da menstruação como algo a ser escondido e muitas vezes motivo de vergonha. Isso acontece porque além da pobreza menstrual, no que se diz respeito a materiais, existe também a pobreza informacional. Nessa ótica, a menstruação ainda é tratada como um tabu, que foi construído ao longo da história da humanindade. Dessa forma, apesar da maior democratização dos meios de comunicação como a internet, ainda é um assunto pouco explorado e discutido, gerando a estigmatização de um ciclo impressindível à natureza feminina.

Depreende-se, portanto, que urge a  criação de uma política pública pelo Ministério da saúde, semelhante à distribuição de preservativos já vigente, com o intuito de tornar acessível instrumentos de higiêne basícos, como absorventes e sabonete. Uma forma simples de dinamizar esse fornecimento seria através do Sistema único de Saúde (SUS), distribuindo nos postos de saúde. Além disso, conversar abertamente com meninas e meninos é essencial para a formação dos jovens e posteriormente para a criação dos próprios filhos.  Só assim seria possivel fortalecer a cidadania e mitigar a probreza menstrual no país verde-amarelo.