Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 24/09/2021
No Brasil, absorventes menstruais não são disponibilizados gratuitamente para as pessoas que têm ciclos todos os meses, mesmo que a menstruação seja uma condição natural do ser humano do sexo feminino. Dessa forma, grande parte da sociedade passa a enxergar os artigos menstruais como produtos de luxo pela sua dificuldade de acesso à população vulnerável econômica e socialmente. De acordo com a antropóloga Mirian Goldenberg, a pobreza menstrual não se refere somente a itens básicos de higiene durante o período de menstruação, mas também à falta de informação, dinheiro e apoio para lidar com seus ciclos. Por isso, faz-se necessário debater as causas, bem como as consequências da carência menstrual no Brasil.
Primordialmente, é imprescindível compreender que essa problemática está intrínseca à desigualdade social e de renda dos brasileiros. À medida que grande parte da população não tem dinheiro suficiente para alimentação, saneamento básico e cuidados de saúde, a higiene menstrual acaba tornando-se algo cada vez mais distante da realidade dessas pessoas, dificultando seu acesso e conhecimento. Além disso, a sociedade brasileira, pautada pelo machismo e patriarcalismo, trata a menstruação como algo que não deve ser discutido, contribuindo para o desconhecimento e a continuidade do assunto como um tabu entre indivíduos vulneráveis socialmente.
Em uma segunda análise, tal obstáculo tem consequências prejudiciais para a educação brasileira. Segundo Goldenberg, uma a cada quatro meninas deixam de frequentar a escola enquanto estão menstruadas e 50% delas não falam sobre isso na sala de aula. Nesse sentido, negligenciar os estudos por falta de informações e de recursos para a higiene menstrual só aumenta a desigualdade entre homens e mulheres a longo prazo, já que estes não menstruam, dificultando o desenvolvimento igualitário entre ambos os sexos.
Portanto, a fim de combater a pobreza menstrual no Brasil, o Ministério da Saúde, mediante o redirecionamento de verbas, deve elaborar um “Kit Ciclo” com produtos de higiene como absorventes, papel higiênico e lenços umedecidos, disponibilizados gratuitamente nos postos de saúde, tendo como meta a distribuição para todas as cidades do território brasileiro. Outrossim, o Ministério da Educação, em conjunto com profissionais da saúde, deve promover palestras e aulas eletivas sobre saúde sexual nas escolas de todo o Brasil, oferecendo informações e conhecimento para os jovens tratarem tal assunto como uma necessidade básica e normal de grande parte da sociedade.