Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 08/10/2021
O documentário “Absorvendo o Tabu” apresenta a miséria menstrual na Índia, relacionando-a com o silenciamento da menstruação, mas também trazendo um recorte econômico, a falta de ferramentas para higiene menstrual. Sob a óptica do senso comum há a percepção de que esta problemática se restringe aos países com extrema pobreza. Entretanto, dados do relatório “A pobreza menstrual no Brasil”, do Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef), retratam que em média 60% das estudantes do país não encontram condições mínimas ao cuidado menstrual nas escolas. Nesse enredo, é evidente a necessidade de compreender a questão menstrual brasileira a partir de uma análise econômica e cultural.
Nesse cenário, é apresentado a partir do estudo “Tributação e Gênero”, realizado pela faculdade Getúlio Vargas, que o absorvente apresentou uma tributação de 27, 5%. A tributação sobre este item estipula uma taxação equivalente a itens supérfluos, se distanciando da taxa de produtos de higiene pessoa. Essa formatação tem relação com funcionamento do sistema tributário, como aponta a pesquisadora do estudo da FGV, a cerca da regressividade do modelo de tributação brasileira que pesa de modo mais intenso para a população de baixa renda. Contudo, o problema não é enlaçado somente pela desigualdade, adentram questões de gênero, pois nenhum item destinado ao masculino – na pesquisa- atingiu taxação tão alta quanto o absorvente. Desta forma, este item não é visto como essencial pelo Estado brasileiro. Diante disso, o Eu feminino é castigado por ser o que é, assim, mulheres são levadas a usar jornais, panos velhos e até migalhas de pão para estancar a menstruação.
Ademais, os tabus relacionados à menstruação também contribuem para a invisibilidade da pobreza menstrual a partir do silenciamento e da omissão. “Não falar sobre a menstruação já é um jeito de falar sobre ela” – relatório da Unicef-. Segundo educadores sexuais, essa relação de nojo com algo tão natural tece vendas às problemáticas relacionadas a menstruação. Desta maneira, a visibilidade deve ser vista como o primeiro passo para a mudança.
Diante do que foi exposto, é necessário que a União distribua, por meio do Sistema único de Saúde, ferramentas para que a população feminina mais humilde possa trilhar um caminho mais próximo da saúde menstrual. Visto que é de atribuição do SUS a formulação de políticas de saúde destinadas a promover a redução de riscos de doenças. Dentre as ferramentas deverá estar o absorvente e cartilhas informativas que desmitifiquem a prática do menstruar. Deste modo, deverá ser possível amenizar a pobreza menstrual.