Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 26/09/2021

O documentário “Absorvendo o tabu” retrata como o estigma associado a menstruação afeta a vida das mulheres de uma aldeia rural na Índia. Analogamente, essa questão também é enfrentada em todo o Brasil, tendo como causas não só o tabu envolvendo a menstruação, mas também questões de saneamento básico e saúde pública, tornando importante solucionar tais empecilhos em nosso terriório nacional.

Em primeiro plano, o psicólogo Juliano Coimbra dos Santos, em seu livro " A culpa é do tabu", evidencia a dificuldade de estabelecer informações corretas em uma sociedade que está mergulhada em preconceitos e medos causados pelo próprio desconhecimento. Tal fato, abrange também a situação das mulheres que sentem vergonha de seu ciclo menstrual, que é associado a algo impuro ou sujo. Dessa forma, ao não informar e ao relacionar a menstruação como tabu, a saúde íntima da mulher é invisibilizada.

Entrementes, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 11% da população mundial vive em situação de extrema pobreza. Devido a isso, muitas pessoas que menstruam não possuem condições básicas de cuidar do próprio corpo durante o período menstrual, o que pode, certamente, ocasionar infecções graves e a proliferação de outras doenças. Contudo, sob o mesmo ponto de vista, é notório que a utilização de itens de higiene, como absorventes, deve ser uma questão de saúde pública e não acessível apenas àqueles que tenham condição financeira de providenciar tais artigos necessários.

Portanto, faz-se necessário que o Governo Federal, em conjunto com o Ministério da Educação, promova um projeto a fim de combater a pobreza menstrual no país. Isso deverá acontecer por meio de investimentos financeiros em saneamento básico, além da distribuição de absorventes, de forma gratuita, em presídios, escolas e até em postos de saúde, buscando também informar a população corretamente, por meio de campanhas publicitárias e aulas de educação sexual nas escolas, uma vez que isso irá melhorar as condições de saneamento e o preconceito acerca da menstruação. Assim, empoderando as mulheres com informação e acessibilidade higiênica, evitando problemáticas como a exposta no documentário supramencionado.