Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 27/09/2021

No livro “Fala sério, mãe”, é contada a experiência da Malu com a sua primeira menstruação, mostrando o contraste entre o que imaginava e a realidade do acontecimento. Assim, fora da ficção, essa divergência também é vivenciada por grande parte dos indivíduos que menstruam, demonstrando a dificuldade de combate à pobreza menstrual na sociedade brasileira. Tal conjuntura ocorre, majoritariamente, devido ora à não distribuição de itens de higiene feminina junto aos recursos básicos de saúde, ora à falta de instrução do povo sobre o tema.

Diante disso, percebe-se que a disponibilização ineficaz de recursos de higiene para a sociedade age como empecilho para o combate dessa problemática, dado que não incluem itens menstruais. Dessa maneira, de acordo com o pensamento de Bauman, os órgãos de saúde pública atuam como Instituições Zumbis, pois, apesar de existentes, não cumprem o seu papel de garantir a todos o acesso ao bem-estar. Logo, os instrumentos para uma menstruação saudável, como absorventes e remédios para cólicas, por não serem tratados como essenciais, não são distribuídos para a população. Consequentemente, indivíduos que não possuem condições financeiras para arcar com os produtos adequados recorrem a métodos alternativos e menos seguros, prejudicando a sua dignidade menstrual.

Outrossim, mesmo quando tais recursos estão à disposição, a falta de instrução sobre o funcionamento real da menstruação atua como um impasse ao projeto de distribuição. A exemplo disso, tem-se o episódio ocorrido no Big Brother Brasil 20, em que a participante Gabi Martins utiliza um absorvente interno de forma inapropriada, demonstrando a sua ignorância quanto à sua anatomia e ao uso desses utensílios. Sendo assim, diversos adolescentes também sofrem com a escassez de informações disponíveis, uma vez que não há uma educação adequada sobre o tema. Por conseguinte, o povo não tem consciência dos instrumentos, cuidados e orientações necessário, lesando a sua saúde, o que inviabiliza o combate à pobreza menstrual.

Portanto, torna-se necessária a intervenção do Estado na problemática, visando combater a pobreza menstrual no país. Primeiramente, o Ministério da Educação, órgão responsável pelo programa nacional de ensino, deve investir na ampliação da discussão sobre o tema, por meio da implantação da educação sexual no currículo escolar, com o fito de disseminar informações sobre o processo da menstruação e suas demandas. Ademais, o Ministério da Saúde necessita fazer a distribuição de recursos de higiene feminina, como absorventes e remédios específicos, em todos os postos de saúde do país, de forma que alcance todo o povo. Em consequência, a população terá maior autoconhecimento e acesso a itens necessários, reduzindo casos como o ocorrido em “Fala sério, mãe”.